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Abriu primeira maternidade para mulheres vítimas de violação

Um hospital localizado em Londres abriu a primeira maternidade do Reino Unido vocacionada especialmente para mulheres vítimas de violações.
Foto do site Bol Notícias

Esta ideia surgiu como resposta a reivindicações de vítimas de violência sexual que diziam ter “flashbacks quando se submetiam a exames do pré-natal e também ao dar à luz”, refere a BBC Brasil.

Segundo aquele site, a clínica, localizada no Royal London Hospital, vai fornecer exames ginecológicos e apoio psicológico pós-parto a mulheres que tenham sido vítimas de violação, além de disponibilizar cursos preparatórios para gestantes e ampliar o acesso a métodos contracetivos às mulheres que ainda não tenham engravidado.

Contornar o trauma

De acordo com a BBC Brasil, a criação da maternidade é fruto de uma iniciativa conjunta do National Health Service (NHS), do SUS britânico, e do projeto “My Body Back”, uma organização não governamental (ONG) fundada em 2015 pela britânica Pavan Amara, de 28 anos, que foi violada quando era ainda adolescente.

"Em nossas sessões, muitas mulheres disseram que queriam ter um bebé, mas não conseguiam se imaginar sendo tocadas. Elas ficavam temerosas de ter flashbacks e sem controle sobre seus corpos", afirmou Pavan Amara ao jornal britânico Evening Standard, tendo acrescentado que "uma mulher foi mãe 15 anos depois de ter sido vítima de um estupro coletivo me contou que quando deu à luz teve um flashback horrível. Segundo ela, quando o médico tocou sua vagina, foi como se alguém a estivesse violando novamente".

Para a responsável da ONG “My Body Back” é ainda necessário ter cuidado com as palavras e posições corporais porque estas podem funcionar como um “gatilho” para memórias indesejáveis

Para a responsável da ONG “My Body Back” é ainda necessário ter cuidado com as palavras e posições corporais porque estas podem funcionar como um “gatilho” para memórias indesejáveis.

"Um médico disse a uma mulher que nos procurou: Relaxe porque tudo vai acabar logo". E ela se sentiu muito mal porque essas eram as mesmas palavras que ouviu do estuprador", revelou Pavan.

Por seu turno, para a parteira Inderjeet Kaur, do NHS, "todas as mulheres devem ser assistidas adequadamente durante a gestação e o parto".

"Mas para aquelas que foram vítimas de violência sexual é especialmente importante que elas se sintam no controle e recebam cuidado contínuo. Isso aumenta a confiança delas, facilitando o trabalho das parteiras, evitando que memórias ruins sejam trazidas à tona e proporcionando uma forte ligação entre a mãe e o bebé", sublinhou.

De acordo com a BBC Brasil, Pavan decidiu lançar o projeto depois de ter sido violada ainda na adolescência.

Em entrevista à BBC no ano passado, falou sobre os efeitos psicológicos que sofria por causa do estupro.

"Era asmática e não conseguia ir ao médico porque não queria ser tocada", explicou.

Decidiu então criar um site e uma rede de apoio voltada para vítimas de abuso sexual como ela, e a partir daí começou a ter a ideia de montar uma clínica voltada especialmente para mulheres que foram vítimas de violação.

"Conversei com médicos e enfermeiras e literalmente todo mundo com quem eu falava me dizia que tinha tido uma paciente que foi estuprada. Mas eles não sabiam como lidar com o assunto", sublinhou.

Refira-se que, de acordo com dados oficiais, todos os anos cerca de 85 mil mulheres são abusadas sexualmente na Inglaterra e no País de Gales.

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