You are here

94 jornalistas foram assassinados em 2018

Segundo a Federação Internacional de Jornalistas, no ano que hoje termina foram assassinados mais 12 jornalistas do que em 2017 e nos últimos seis anos foram mortos 600. 90 por cento destes crimes continuam impunes.
Nos últimos seis anos, foram assassinados mais de 600 jornalistas. A Federação Internacional dos Jornalistas reivindica um “protocolo da ONU para a proteção de jornalistas”
Nos últimos seis anos, foram assassinados mais de 600 jornalistas. A Federação Internacional dos Jornalistas reivindica um “protocolo da ONU para a proteção de jornalistas”

A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ, na sigla em inglês) salienta que os trabalhadores dos media foram mortos em assassinatos seletivos, bombardeamentos e em diversas situações de conflitos armados.

O país onde morreram mais jornalistas este ano foi o Afeganistão, com 16 assassinatos. A seguir, foram o México com 11 pessoas mortas, Iémen com nove e Síria com oito.

Philippe Leruth, presidente da IFJ, salienta que "os jornalistas são um alvo porque eles são testemunhas. E o resultado disto é um aumento da autocensura".

O assassinato do jornalista Jamal Khasoggi, colaborador do The Washington Post, na embaixada da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, chocou o mundo em outubro passado. Este assassinato continua impune.

Philippe Leruth sublinha que "a estatística mais chocante é que nove em cada dez casos de mortes de jornalistas ficam impunes".

A IFJ considera ainda que há outros fatores que afetam a atividade dos jornalistas, nomeadamente, o aumento da intolerância à informação independente, populismo, corrupção, crime, e o colapso da lei e da ordem nalguns territórios.

Acabar com a impunidade

A IFJ lançou também uma campanha para acabar com a impunidade e reivindicando um “protocolo da ONU para a proteção dos jornalistas”.

No seu site a IFJ refere que nos últimos seis anos mais de 600 jornalistas foram assassinado/as, sublinhando a impunidade reina e que nove em cada dez casos continuam impunes.

A federação destaca ainda que centenas de jornalistas estão presos e que diariamente as e os jornalistas são atacados, assediados e ameaçados.

Também existem ameaças crescentes à segurança digital com ciberataques, pirataria informática e assédio pela Internet, sobretudo às jornalistas mulheres.

Mais de 345 jornalistas presos em 2018

Segundo a Reporters Sans Frontières (RSF), em 2018 foram presos 345 jornalistas, pelo menos, foram sequestrados 60, mais 11% do que em 2017, e três desapareceram. Segundo dados de 28 de dezembro, estão presos 348 jornalistas.

Mais de metade dos jornalistas presos estão nas prisões de Irão, Arábia Saudita, Egito, Turquia e China, que é a maior cadeia de jornalistas do mundo, pois mantém 60 presos, três quartos dos quais são jornalistas-cidadãos. Quanto aos sequestros, 59 dos 60 ocorreram no Médio Oriente, na Síria, no Iraque e no Iémen.

A RSF destaca que estes números refletem “uma violência inédita contra jornalistas” e que mais de metade dos jornalistas assassinados em 2018 foram atacados deliberadamente. A RSF lembra também o assassinato de Jamal Khashoggi e o do jovem jornalista de investigação eslovaco Jan Kuciak, considerando que “mostram a incomensurável determinação dos inimigos da liberdade de imprensa”.

“Os atos violentos contra os jornalistas alcançam nível inédito este ano: todos os indicadores estão no vermelho”, declarou o secretário geral da RSF, Christophe Deloire, apontando que “o ódio aos jornalistas manifestado – e mesmo reivindicado – por líderes políticos, religiosos e homens de negócios sem escrúpulos, tem consequências dramáticas e traduz-se num aumento muito preocupante das violações dos direitos dos jornalistas”.

Deloire acrescenta ainda que “estes sentimentos de ódio, multiplicados através das redes sociais – que têm grande responsabilidade nestes factos – são usados para legitimar as agressões e debilitam, pouco a pouco, diariamente, o jornalismo e, com ele, a democracia”.

 

Termos relacionados Sociedade
(...)