A edição desta quarta-feira do jornal “Público” revela que há mais de 865 mil pessoas sem médico de família no Serviço Nacional de Saúde (SNS). A maioria destas faltas está na Região de Lisboa e Vale do Tejo, onde há 620 mil pessoas sem médico de família, 16,4% do total nacional de faltas.
Na comissão parlamentar de saúde desta quarta-feira, a ministra da Saúde, Marta Temido, confirmou a subida do número de pessoas sem médico de família. “Relativamente ao problema da cobertura de médicos de família, de facto, em abril a cobertura de utentes inscritos com médico de família situava-se nos 91%, correspondendo a cerca de 900 mil utentes sem médico de família”, afirmou a ministra, segundo a Lusa.
O jornal salienta que o número de pessoas sem médico de família aumenta em relação ao final do ano passado, apesar de ser inferior a setembro de 2020, quando chegou a ultrapassar o milhão de pessoas. E lembra ainda que o primeiro-ministro tinha prometido em 2016 que todas as pessoas teriam médico de família até final da legislatura, mas a promessa ficou por cumprir e continua longe de vir a ser alcançada.
Vagas por preencher e muitos médicos em idade próxima da reforma
Em declarações ao Público, o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Nuno Jacinto, afirma: “Estamos em anos de picos de reformas”. Em 2021 e nos próximos anos, muitos médicos de família que começaram a trabalhar nos primeiros anos do SNS vão passar à reforma.
Por outro lado, em cada ano há muitas vagas abertas pelo Ministério que ficam por preencher. Em 2020, ficaram por preencher 116 vagas em 435, 26,7%, mais de um quarto das vagas.
“Quando os concursos deste ano [há dois por ano] estiverem concluídos, a cobertura aumenta, mas depois diminui de novo. É a evolução natural”, diz Nuno Jacinto, sublinhando que o essencial é garantir que os médicos que acabam o internato desta especialidade “ficam no SNS”.
“A região mais crítica é Lisboa e Vale do Tejo, o que tem a ver com a programação das vagas logo no início do internato”, afirma ainda Nuno Jacinto, que considera que “a gestão das vagas devia ser plurianual, não feita de forma desconexa, como acontece atualmente”.