865 mil pessoas sem médico de família

19 de May 2021 - 12:54

A situação no SNS agravou-se e a ministra da Saúde confirmou esta quarta-feira no Parlamento que em abril havia quase 900 mil pessoas sem médico de família. As maiores falhas são na região de Lisboa.

PARTILHAR
Na região de Lisboa, há 620 mil pessoas sem médico de família – Foto da CGTP
Na região de Lisboa, há 620 mil pessoas sem médico de família – Foto da CGTP

A edição desta quarta-feira do jornal “Público” revela que há mais de 865 mil pessoas sem médico de família no Serviço Nacional de Saúde (SNS). A maioria destas faltas está na Região de Lisboa e Vale do Tejo, onde há 620 mil pessoas sem médico de família, 16,4% do total nacional de faltas.

Na comissão parlamentar de saúde desta quarta-feira, a ministra da Saúde, Marta Temido, confirmou a subida do número de pessoas sem médico de família. “Relativamente ao problema da cobertura de médicos de família, de facto, em abril a cobertura de utentes inscritos com médico de família situava-se nos 91%, correspondendo a cerca de 900 mil utentes sem médico de família”, afirmou a ministra, segundo a Lusa.

O jornal salienta que o número de pessoas sem médico de família aumenta em relação ao final do ano passado, apesar de ser inferior a setembro de 2020, quando chegou a ultrapassar o milhão de pessoas. E lembra ainda que o primeiro-ministro tinha prometido em 2016 que todas as pessoas teriam médico de família até final da legislatura, mas a promessa ficou por cumprir e continua longe de vir a ser alcançada.

Vagas por preencher e muitos médicos em idade próxima da reforma

Em declarações ao Público, o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Nuno Jacinto, afirma: “Estamos em anos de picos de reformas”. Em 2021 e nos próximos anos, muitos médicos de família que começaram a trabalhar nos primeiros anos do SNS vão passar à reforma.

Por outro lado, em cada ano há muitas vagas abertas pelo Ministério que ficam por preencher. Em 2020, ficaram por preencher 116 vagas em 435, 26,7%, mais de um quarto das vagas.

“Quando os concursos deste ano [há dois por ano] estiverem concluídos, a cobertura aumenta, mas depois diminui de novo. É a evolução natural”, diz Nuno Jacinto, sublinhando que o essencial é garantir que os médicos que acabam o internato desta especialidade “ficam no SNS”.

“A região mais crítica é Lisboa e Vale do Tejo, o que tem a ver com a programação das vagas logo no início do internato”, afirma ainda Nuno Jacinto, que considera que “a gestão das vagas devia ser plurianual, não feita de forma desconexa, como acontece atualmente”.

Termos relacionados: Sociedade