711 mil trabalhadores com contratos a prazo

28 de May 2018 - 18:00

Comissão Europeia lamenta que 82% dos trabalhadores mais precários estejam nesta situação “involuntariamente” e quer que governo aja.

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A Comissão Europeia afirma que há uma severa segmentação no mercado laboral português. Fotografia de Paulete Matos.
A Comissão Europeia afirma que há uma severa segmentação no mercado laboral português. Fotografia de Paulete Matos.

De acordo com cálculos do DN/Dinheiro Vivo, que se baseia em dados do INE e do Eurostat, há mais de 711 mil trabalhadores com contratos a prazo ou ainda mais precários.

O peso no total do emprego por conta de outrem é, neste momento, o quinto maior da Europa: 82% das pessoas dizem-se obrigadas a aceitar contratos precários por não conseguirem encontrar vínculos permanentes.

A Comissão Europeia alertou para este problema, dizendo tratar-se de um sinal da severa segmentação do mercado laboral português.

Bruxelas afirma que, “apesar do aumento significativo no número de empregos permanentes em 2017, a proporção de empregados temporários permaneceu estável em 22%, um dos níveis mais altos da União Europeia”.

Para o Eurostat, os empregados “temporários” são aqueles “que têm um contrato a termo fixo ou cujo trabalho irá terminar se determinado objetivo for atingido, como a conclusão de um projeto ou o regresso da pessoa que estava a ser temporariamente substituída”. Em Portugal, “cerca de 82% dos empregados temporários estavam nesta situação involuntariamente”, aponta.

Ainda que haja mais pessoas “a migrar de empregos temporários para empregos permanentes”, a Comissão afirma que “os contratos temporários continuam a ser a norma para os desempregados encontrarem trabalho”. Além disso, a diferença salarial (já de si grande) entre empregados temporários e permanentes cresceu durante a crise”, acrescenta. Assim, recomenda ao governo que tome medidas neste sentido.