Em 1959 dezenas de milhares de tibetanos levantaram-se contra a ocupação chinesa nas ruas de Lhasa. A revolta foi derrotada pelo Exército Popular da China e o Dalai Lama acabou por se exilar na Índia, proclamando-se líder do governo tibetano no exílio. Só em 2011 o líder espiritual tibetano abandonou este cargo.
Passados 60 anos esta data é assinalada em vários pontos do globo. São ao todo 35 cidades.
Em Portugal a organização foi do Grupo de Apoio ao Tibete, que foi fundado há onze anos nesta mesma data, e a concentração decorreu em frente à embaixada da China. Na convocatória pode ler-se que “apesar de todo o sofrimento em forma de mortes, espancamentos, torturas, maus tratos, discriminação, abortos e esterilizações forçadas, o povo Tibetano tem continuado a resistir, porque quer viver em liberdade, tem esse direito, bem como deve ter o direito à sua terra, à sua cultura, língua, religião e tradições”.
Prosperidade ou “prisão a céu aberto”
As autoridades chinesas olham para o Tibete como uma parte do seu território que foi libertada de uma teocracia medieval e que, com isso, ganhou uma prosperidade económica nunca antes alcançada na região.
Uma história radicalmente diferente é contada pelo governo tibetano no exílio e pelos vários movimentos internacionais de solidariedade para com o povo tibetano. Estes falam numa campanha de colonização, com o governo a promover a migração de pessoas da etnia Han, a etnia maioritária chinesas, e num território que é “uma prisão a céu aberto”. É o que pensa um dos responsáveis da Campanha Internacional para o Tibete, Matteo Mecacci, em declarações à Lusa, acrescentando que “para os tibetanos, é muito perigoso expressarem a sua identidade ou tentar promovê-la em qualquer sentido significativo, já para não falar de expressar qualquer descontentamento ou queixa sobre as políticas da China”.
Na data da revolta os turistas estrangeiros são proibidos de viajar para o Tibete e há atividades religiosas que são limitadas. Sobre a proibição de viagens de estrangeiros, Wu Yingjie, líder do Partido Comunista Chinês no Tibete. não reconhece que tenha que ver com a data mas por razões de segurança para prevenir que os visitantes sofram de “doenças da altitude”.