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A 6 de outubro há que defender o SNS, “a pérola da nossa democracia”

Num comício realizado em Torres Novas, Catarina Martins alertou que no dia 6 de outubro se vai escolher entre “um SNS de mínimos ou um SNS com investimento para garantir os cuidados de saúde e a promoção da saúde de que o país precisa”.
Abraço entre Catarina Martins e Fabíola Cardoso - Foto de Paula Nunes
Abraço entre Catarina Martins e Fabíola Cardoso - Foto de Paula Nunes

Com sala cheia, o Bloco de Esquerda realizou na noite desta terça-feira, 24 de setembro, um comício em Torres Novas, em que intervieram Fabíola Cardoso, cabeça de lista do Bloco no distrito de Santarém, Fernando Rosas, Roberto Barata e Catarina Martins.

"Pérola da democracia"

A coordenadora bloquista centrou a sua intervenção no Serviço Nacional de Saúde (SNS), apontando que o SNS será “seguramente um dos temas principais da próxima legislatura”.

“O SNS é a história da construção da democracia em Portugal, que deve orgulhar-nos imenso”, começou por salientar Catarina Martins, apontando que este decisivo serviço público tem “uma filosofia extraordinária”: “toda a gente neste país tem acesso a cuidados de saúde. Não importa se é homem ou mulher, jovem ou mais velho, se está desempregado ou a trabalhar, se já está reformado ou não, se aqui nasceu ou se aqui chegou”.

A coordenadora do Bloco apontou que “esta conquista mudou o nosso país”, valorizou os serviços, elogiou o plano nacional de vaticinação, “que chega a toda a gente” e “erradicou das doenças mais violentas”, e concluiu: “Esta é a nossa pérola da democracia”.

"SNS foi vítima dos maiores ataques"

A dirigente bloquista referiu em seguida que no SNS não está tudo bem, pelo contrário, assinalando, em primeiro lugar, que ele foi criado num tempo e que hoje “tem de olhar para os problemas do nosso tempo”, para uma “população envelhecida”, e centrar-se na “promoção da saúde e prevenção da doença”.

Catarina Martins indicou seguidamente que o SNS não precisa apenas de mudar, tem de ser salvo dos ataques de que foi vítima nas últimas décadas.

Citando Isabel Vaz do BES Saúde, agora Luz Saúde, “que dizia que a saúde é o melhor negócio de todos a seguir ao armamento”, a coordenadora bloquista fez notar então que “o SNS tem estado refém do negócio”, destacando que todos os anos o orçamento não chega para as despesas e isso obriga à contratualização.

“Quando o SNS não tem o orçamento de que precisa, fica refém dos grupos privados”, criticou, sublinhando que essa situação fragiliza o SNS, que “não consegue negociar com força”, e essa “sucessiva fragilização” provoca o seu desmantalamento.

“Quatro em cada dez euros do orçamento do Estado para a saúde já vão para os privados”, lembrou Catarina Martins e referiu que, num relatório divulgado nesta terça-feira pelo ministério da Saúde, é dito que foram pagos 263 milhões de euros em trabalho suplementar. “Podíamos ter contratado 8.000 profissionais”, apontou a dirigente bloquista, referindo que “em tarefeiros gastou-se 105 milhões de euros” e salientando que “o que se nega aos profissionais na valorização estão a ser gastos” em contratualizações. “É o absurdo instalado no SNS”, criticou.

Proposta do Bloco

“O que o Bloco quer é trocar o absurdo pelo investimento capaz, com orçamento sério, com dotação plurianual e autonomia das instituições para se reforçarem e terem os meios e as equipas de que precisam”, indicou Catarina Martins.

A coordenadora bloquista sinalizou também os passos positivos dados nos últimos quatro anos, “repusemos parte do orçamento, acabámos com as cativações”, e apontou uma “mudança estrutural essencial” realizada: “revogámos a lei de bases da saúde que via a saúde como um negócio e não como um direito”.

“A nova lei de bases da saúde que nasceu do contributo do António Arnaut e do João Semedo, foi possível pela convergência do Bloco, PCP e PS”, afirmou, sublinhando que no dia 6 de outubro há uma escolha a fazer: “manter a promiscuidade entre SNS e hospitais privados ou fazer um caminho para a exclusividade, respeitando as carreiras dos profissionais”.

"A partir do dia 6 de outubro, se não regressarmos ao tempo das maiorias absolutas, cá estaremos, retomando o nosso debate, para salvar o Serviço Nacional de Saúde, para combater a precariedade, para melhorar salários, para puxar pelas pensões, para responder à emergência climática", concluiu.

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