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357 milhões de crianças vivem em zonas de conflito

Organização Save the Children lança relatório com números alarmantes: número de crianças a viver em zonas de conflito aumento 75% desde 1990 e, destas, 165 milhões encontram-se em áreas de conflitos de alta intensidade.
Nos últimos anos houve um aumento de 75% no número de crianças expostas a riscos associados a conflitos armados.
Nos últimos anos houve um aumento de 75% no número de crianças expostas a riscos associados a conflitos armados. Foto: Eoghan Rice/Flickr

Segundo o relatório War on Children, publicado pela organização Save the Children, uma em cada seis crianças vive a pelo menos 50 quilómetros de uma área de guerra. O documento analisa dados desde 1989, mas centra-se no período entre 1996 e 2016, o último ano com dados verificados. Em relação a 2017, embora a informação disponível seja pouca e com “enormes falhas” nos dados disponibilizados, foram utilizadas fontes fidedignas, como são os relatórios das Nações Unidas. Ainda assim, a organização salienta que os dados de situações como a perseguição à minoria muçulmana dos rohingya, na Birmânia, não são tratados de forma rigorosa, estimando-se que sejam superiores.

A organização concluiu que, nos últimos anos, houve um aumento de 75% no número de crianças expostas a riscos associados a conflitos armados: de 200 milhões de crianças em 1995 a 357 milhões em 2016.

A Síria ocupa o primeiro lugar entre os países onde as crianças são mais vulneráveis, sendo seguida pelo Afeganistão e Somália. O top 10 é completado pelo Iémen, Nigéria, Sudão do Sul, Iraque, República Democrática do Congo, Sudão e República Centro Africana. O Médio Oriente e África são, de acordo com os dados do relatório, as zonas mais perigosas para crianças: no Médio Oriente, duas em cada cinco crianças estão expostas a conflitos, e em África uma em cada cinco.

165 milhões de crianças, ou seja, metade das que se encontram em risco, encontram-se em áreas de conflitos de “alta intensidade”, considerando a ONU que estão expostas a “graves violações”, nomeadamente morte, mutilações, recrutamento para combates, violência sexual, rapto, ataques a escolas e hospitais e recusa de acesso humanitário.

O relatório aponta também para o aumento de 300% no número de crianças mortas e mutiladas desde 2010 e o aumento de 1 500% na recusa de ajuda humanitária. Esta tendência crescente, cuja observação se baseia em dados da ONU, inclui o recrutamento de crianças (como bombistas suicidas, entre outros), violência sexual, a normalização dos ataques a escolas e hospitais, tácticas de cerco para submeter a população à fome e bloqueios intencionais aos corredores humanitários.

“O impacto psicológico do stress tóxico nas crianças que vivem nas zonas de conflito é profundo e pode levar a um círculo vicioso no conflito, no qual a próxima geração luta para reconstruir uma sociedade pacífica que se segue ao trauma da violência”, diz o documento.

A organização conclui o relatório propondo quatro áreas para ação: investimento na prevenção da exposição de crianças ao risco, cumprimento das diretrizes e leis internacionais, intensificação da ação para responsabilizar os infratores e aumento do esforço de reconstrução das crianças atingidas pelos conflitos.

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