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34 anos depois, assassinato de Thomas Sankara será julgado

O projeto de transformação social do presidente do Burkina Faso foi abruptamente cortado por um golpe de Estado em 1987. O seu ex-ministro da Justiça, um dos responsáveis pelo crime, assumiu o poder até 2014.
Thomas Sankara. Foto Wikimedia Commons.
Thomas Sankara. Foto Wikimedia Commons.

Thomas Sankara era presidente do Burkina Faso quando foi assassinado junto com mais doze pessoas em 1987. Um dos responsáveis pelo crime, Blaise Compaoré, que era seu ministro da Justiça, assumiu o poder na sequência do golpe de Estado e só o largou em 2014.

Esta terça-feira, 34 anos depois, o procurador militar do país fixou a data de início do julgamento deste crime para o próximo dia 11 de outubro. Para além de Compaoré, outras doze pessoas serão julgadas por “atentado à segurança de Estado”, “cumplicidade no assassinato” e “cumplicidade na ocultação de cadáveres”. Haveria mais responsáveis, mas muitos entretanto faleceram.

O general Gilbert Diendéré, que se tornou chefe de Estado-Maior das Forças Armadas do Burkina Faso, também está acusado. Cumpre atualmente uma pena de vinte anos de prisão por tentado fazer outro golpe de Estado em 2015.

Já Compaoré deve conseguir fugir a qualquer punição. O fim do seu regime e a criação de um processo de transição democrática levou-o a fugir para a Costa do Marfim e obteve depois a nacionalidade deste país. Há um mandato internacional de prisão contra si desde dezembro de 2015.

Sankara, um breve governo socialista que não foi esquecido

Thomas Sankara só foi presidente entre 1983 e 1987. Mas deixou um legado que ainda hoje é defendido. Anti-imperialista, anticolonialista, socialista e pan-africanista, liderou um projeto de transformação da então República do Alto Volta, nome colonial que foi abandonado em benefício de Burkina Faso.

A sua “revolução popular e democrática” pretendia justiça social, libertação das mulheres, combate à corrupção, acabar com o analfabetismo, auto-suficiência económica e uma democratização profunda da sociedade. Opõe-se ao sistema financeiro que estrangulava o chamado “terceiro-mundo” através da criação de dívidas insustentáveis e ilegítimas. Não contrai nenhum empréstimo junto do FMI e incita os outros estados africanos a deixar de pagar a dívida externa. Pioneiro ambientalista, tem ainda tempo de lançar o primeiro programa africano de luta contra a desertificação, a desflorestação e a caça ilegal. Lança uma campanha de vacinação contra a meningite, a febre amarela e o sarampo que chega a 2,5 milhões de crianças. Também era conhecido pelo seu estilo de vida modesto, que contrastava com os luxos de muitos ditadores da região.

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