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27 de janeiro de 1939: Franco conquista Barcelona com a ajuda de Mussolini

Barcelona foi tomada pelas forças franquistas dois meses antes de Madrid, um dos últimos redutos dos republicanos. Mais de 460 mil pessoas fugiram pela fronteira francesa. Por Diego Garcia
Capa do ABC de Sevilha no dia que Franco tomou Barcelona - Imagem retirada do jornal ABC

A história de Francisco Franco, o Caudilho, com as forças fascistas de Mussolini foi sempre muito estreita, também pela vontade de influência do italiano na Península Ibérica, contrapondo com as forças de Hitler.

O Tribunal de Instrução nº28 de Barcelona abriu uma investigação em 2013 sobre os bombardeamentos italianos na Catalunha durante a Guerra Civil Espanhola por considerar que se trata de um “crime contra a humanidade”. Os tribunais italianos não colaboram com a investigação, mas o processo continua aberto.

A grande maioria daqueles ataques vieram da base aérea italiana em Maiorca, nas Ilhas Baleares, pela chamada Aviação Legionária das Baleares, localizada no atual aeroporto de Palma. Um contingente de 300 soldados atacou sem descanso as cidades do Levante mediterrâneo, desde Girona até Múrcia, com ordens diretas de Roma. O resultado foi a morte de mais de 5 mil pessoas, 2.500 só na cidade de Barcelona.

Algumas investigações revelaram os contactos da direita espanhola com Mussolini na preparação de vários golpes durante a Guerra Civil. Desde o fracasso do golpe de Sanjurjo, em 1932, o governo fascista italiano decidiu apoiar os opositores da República, mas sempre de maneira subtil. Os interesses de Mussolini nunca foram muito evidentes porque queria dar-se bem com Espanha e não aumentar o medo das potências democráticas, sobretudo da França. Mesmo assim, falangistas, monárquicos e carlistas assinaram um acordo secreto com Mussolini em 1934 e as forças nacionalistas de Franco receberam apoio económico e ajuda política e militar.

A ofensiva de Catalunha

Foi no dia 26 de janeiro de 1939 quando o jornal ABC relatou duas perspetivas diferentes da tomada de Barcelona pelas tropas de Franco. O ABC de Madrid referia que “nas proximidades de Barcelona, os nossos soldados lutam fortemente, contendo as forças invasoras”. Por outro lado, o ABC de Sevilha noticiava que “Barcelona libertada, desde o meio dia de ontem, pelo Exército Espanhol”.

Este também era o reflexo de Espanha, um país completamente dividido e com posições ideológicas antagónicas. Os republicanos acabariam por ser abandonados pelas grandes potências europeias. As tropas republicanas em Barcelona deram conta de 10 mil mortos, 34 mil feridos e 19 mil presos. Barcelona acabou por se render frente ao Caudilho.

Franco deu início à ofensiva no dia 23 de janeiro e no dia 26 a cidade de Barcelona já tinha sido praticamente tomada pelo Corpo do Exército navarro e pelo Corpo marroquino. Desde Madrid - último reduto dos republicanos - só deram a cidade catalã por perdida no dia 29 de janeiro.

As entidades oficiais da República já tinham sido evacuadas no dia 22 de janeiro, enquanto o pouco que restava do exército republicano defendia a cidade na linha do rio Llobregat.

Nas primeiras horas da tarde de dia 26, tanques italianos e marroquinos entraram pelo centro de Barcelona.

Dois meses depois, Madrid sucumbiria às tropas de Franco e levaria centenas de milhares de republicanos ao exílio e na direção da fronteira com a França. No total foram mais de 460 mil pessoas que atravessaram a fronteira francesa até o dia 10 de fevereiro de 1939, tal como relata o jornal La Vanguardia.

A ajuda de Portugal 

O papel de Portugal foi fundamental nas primeiras semanas, sobretudo quando o golpe de Estado organizado por Francisco Franco parecia que iria fracassar. O governo de Salazar colocou à disposição das forças nacionalistas alguns recursos financeiros, através dos bancos portugueses, mas também disponibilizou uma forte proteção diplomática e política.

São públicas várias cartas do Banco Espírito Santo, datadas de 1937, dirigidas a vários diplomatas espanhóis onde eram remetidas determinadas quantias, de acordo com o jornal espanhol Público.

Também no setor das armas Portugal deu um forte contributo a Franco. Durante os anos da Guerra Civil, Portugal passou a ocupar a terceira posição na lista de clientes da indústria bélica alemã e o primeiro a nível europeu.

Fonte:

“Italia en la Guerra Civil Española: el capitán Villegas y el origen de la Aviación Legionaria de Baleares” de Manuel Aguilera Povedano. Edições Complutense

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