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2022, o ano em que fecham as últimas centrais nucleares na Alemanha

2021 acaba com três centrais nucleares e 2022 acabará com as últimas três. A luta anti-nuclear parece ter vencido o lóbi empresarial mas os ambientalistas ressalvam que depois desta data ainda haverá fábricas de enriquecimento de urânio no país.
Bandeiras do movimento anti-nuclear alemão. Foto de Till Westermayer/Flickr.
Bandeiras do movimento anti-nuclear alemão. Foto de Till Westermayer/Flickr.

Com o fim de 2021, encerram três das últimas seis centrais nucleares da Alemanha. As centrais de Brokdorf, Gröhnde e Gundremmingen fecham ao final de cerca de 35 anos e muitas lutas sociais. No final de 2022, fecharão as restantes três, as de Neckarshaim 2, Isar 2 e Gundremingen C. Se estes encerramentos previstos se concretizarem, terminará com elas uma era.

A energia nuclear foi apresentada como energia do futuro e sempre contou com um lóbi poderoso ao seu serviço, com muitos a jurarem ser a “energia limpa e segura” de que o mundo precisava.

Os movimentos ecologistas sempre se lhe opuseram levantando questões sobre a segurança e possibilidade de acidentes, sobre as quantidades inimagináveis de tempo que os detritos radioativos duram, sobre os efeitos nefastos da mineração dos materiais necessários como o urânio, a sua relação com as armas nucleares entre outras.

E se o acidente de Chernobil em 1986 ainda pôde ser apresentado por alguns como apenas um problema da decadência da tecnologia soviética, o acidente de Fukushima, em 2011, na sequência de um terramoto e de um tsunami, fez derrocar de vez o discurso sobre a absoluta segurança destas instalações.

De posição ultra-minoritária na sociedade, a posição anti-nuclear foi-se tornando um consenso a que agora apenas a extrema-direita escapa. Na Alemanha, o SPD, Partido Social Democrata, mudou de posição por alturas de Chernobil. Mas quando Gerhard Schröder chegou ao governo, em 1998, e se coligou com Verdes, partido com forte influência do movimento contra a energia nuclear, o fim do nuclear foi pensado como tão progressivo que se manteve até aos dias de hoje. Procurava-se, alegava-se então, o acordo com as grandes empresas que detém estas instalações.

Em 2001, estas acabam por concordar com a desativação depois de 32 anos de laboração. Mas com Merkel no poder e com a sua CDU e os liberais do FDP a apoiar o encerramento foi adiado durante anos. Fukushima foi o abalo decisivo e depois disso Merkel recuou e começaram então a ser desligados reatores, 30 entre centrais nucleares, protótipos e reatores experimentais chegaram ao fim nos últimos anos.

Contudo, 2022 marcará apenas o fim das centrais nucleares e não do nuclear, sublinham os ambientalistas. Arne Fellermann, do grupo ambientalista Bund, realça que “ainda haverá fábricas de enriquecimento de urânio na Alemanha como a de Gronau” e “um reator de investigação em Garching que ainda funciona com urânio suficientemente puro que pode fabricar armas nucleares”.

Para além disso, os trabalhos de desmantelamento das instalações durarão por anos. Em Gundremmingen, por exemplo, as operações vão-se arrastar até pelo 2040.

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