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2018: Estado pagou mais de 473 milhões aos privados por exames e análises

Para Moisés Ferreira, “estes números só dão razão a propostas do Bloco de Esquerda para uma maior internalização dos meios complementares de diagnóstico e para um maior investimento público nesta área”.
Fotografia de Paulete Matos
Fotografia de Paulete Matos

Estes números representam um aumento de 5,3% face ao ano anterior. Entre 2015 e 2017, foi de 2,3% por ano.

Em 2018, só as análises clínicas custaram 176,4 milhões de euros, a medicina física e de reabilitação custou 100 milhões e a radiologia custou 107 milhões. Estas foram as três áreas de maiores gastos, correspondendo a 80% da fatura total.

Por sua vez, os gastos com endoscopias gastroenterológicas aumentaram principalmente a partir de 2014, quando passaram de cerca de 12 milhões d euros anuais para mais de 25 milhões.

O Relatório Anual Acesso a Cuidados de Saúde nos Estabelecimentos do SNS e Entidades Convencionadas 2017 mostra ainda que os gastos de 2018 foram os mais altos dos últimos nove anos.

Em declarações ao Esquerda.net, Moisés Ferreira, deputado do Bloco, afirmou que “estes números só dão razão a propostas do Bloco de Esquerda para uma maior internalização dos meios complementares de diagnóstico e para um maior investimento público nesta área”.

“Há capacidade instalada que não é devidamente aproveitada. Há laboratórios e respostas de imagiologia que foram desativados ao longo de anos”, afirma, acrescentando que agora o “SNS se vê obrigado a contratar fora aquilo que pode fazer melhor e mais barato se aproveitar os recursos que existem”.

“Para além disso, é preciso, como o Bloco tem defendido, a criação de planos plurianuais de investimento para renovação dos equipamentos tecnológicos do SNS. Esse investimento dará mais capacidade de resposta ao SNS, reduzindo a necessidade de recurso a privados.” afirmou, acrescentando que é preciso contratar mais profissionais, já que “a não contratação obriga a que o SNS gaste mais dezenas de milhões a contratualizar serviços com privados”.

“Ficar dependente de privados para fazer meios complementares de diagnóstico não é apenas mais caro, é também um pior serviço aos utentes”, terminou.

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