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“2017 terá de ser o ano do combate às rendas na saúde e energia“

O Orçamento de Estado para 2017 terá de ser “o orçamento da reposição de direitos e do combate ao privilégio para proteger o que é de todos”, afirmou Catarina Martins no encerramento do Fórum Socialismo 2016.
Catarina Martins e Marisa Matias no encerramento do Fórum Socialismo 2016. Foto João Camargo.

Na intervenção final do Fórum de ideias promovido anualmente pelo Bloco de Esquerda, a porta-voz bloquista falou das mudanças alcançadas graças ao acordo que viabiliza o atual governo do PS, mas também do que espera vir a ser alcançado no futuro.

Para prosseguir esse debate, Catarina Martins lançou o convite para a participação numa conferência coordenada por Mariana Mortágua que o Bloco irá promover “sobre o Orçamento que queremos para Portugal”, uma iniciativa aberta aos contributos de dentro e fora do Bloco.

No discurso deste domingo em Santa Maria da Feira, Catarina definiu algumas prioridades para a negociação do próximo Orçamento do Estado. “Terá de ser o orçamento da reposição de direitos e do combate ao privilégio para proteger o que é de todos”, garantiu. Para a porta-voz do Bloco, é essencial responder pelas pensões e atualizar o Indexante de Apoios Sociais congelado desde 2009, pois “o caminho da recuperação de rendimentos não pode abandonar quem trabalhou toda uma vida e as maiores vítimas da austeridade”.

Por outro lado, “a coragem de terminar com rendas aos colégios privados e defender a escola pública tem de se estender ao setor da Saúde, onde a excessiva contratualização com privados tem minado o SNS”, acrescentou Catarina, arrancando aplausos das pessoas presentes na sessão.

Com a maioria das medidas acordadas com PS já aplicadas ou em fase de execução, Catarina prometeu que o Bloco tudo fará pelo cumprimento integral do acordo. “Se o fizermos, estaremos nas melhores condições para aprofundar uma estratégia para a segunda metade da legislatura que seja capaz de lançar políticas de crescimento”, prosseguiu.

"O país sabe que o Bloco de Esquerda é uma garantia de estabilidade. Temos cumprido cada palavra do acordo que assinamos. E que ninguém duvide: enquanto se cumprir este compromisso com o povo português que parar a austeridade e o empobrecimento, com medidas para servir o emprego, os salários e pensões, não será o Bloco a provocar crise política, instabilidade ou incerteza", garantiu.

“Desengane-se quem pensa que o Bloco se acomoda ao que foi feito até agora”

O sucesso deste acordo e da legislatura será medido “pelo único critério que importa: emprego. E que não se trate de estágios em que os trabalhadores paguem para trabalhar”, acrescentou Catarina, defendendo que a trajetória prevista do aumento do salário mínimo nacional até 2019 deve ser acompanhada de medidas de combate à precariedade: “acabar com falsos estágios e o falso trabalho temporário e voluntário e reativar a contratação coletiva, a valorização das carreiras e salários”.

“Quem põe a economia em perigo em Portugal são aqueles patrões que não sabem mais do que jogar sujo e abusar de quem trabalha”, prosseguiu Catarina, respondendo às críticas da confederação patronal da indústria, que em junho acusou o Bloco de atacar os empresários. “Enganou-se, o Bloco ataca quem abusa dos trabalhadores, e por isso nos orgulhamos da aplicação da lei contra o trabalho forçado”, acrescentou, lamentando que “os maiores patrões em Portugal tudo tenham feito para travar essa lei”.

“Das confederações patronais às energéticas, todos esperam que nada mude para que possam manter a situação de privilégio em que têm vivido”, prosseguiu Catarina, garantindo que o Bloco se guia pela “justiça na economia e respeito por quem trabalha”. “Desengane-se quem pensa que o Bloco se acomoda ao que foi feito até agora”, avisou.

“Trabalhamos todos os dias para libertar o país das garras do sistema financeiro”

As negociações com Bruxelas para a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos também foi tema desta intervenção, com as maiores críticas a serem dirigidas aos partidos do governo anterior. “A direita apostou tudo na Comissão Europeia e no fanatismo da Direção Geral da Concorrência” para forçar a capitalização por privados na CGD.

“Ao invés, o que se conseguiu é respeito pela democracia e soberania do nosso país”, com a aprovação do plano de recapitalização que garante uma Caixa 100% pública. Para o futuro da restruturação da CGD, Catarina Martins aponta algumas prioridades para a nova administração: “transparência, prestação de contas, responsabilização pelos erros passados e respeito pelos trabalhadores da CGD”.

A porta-voz do Bloco lembrou ainda que em breve terá início o debate da Comissão Europeia com o Parlamento Europeu acerca da proposta de suspensão de fundos estruturais a Portugal. “Marisa Matias, que será uma das eurodeputadas na comissão negocial, garante que alguém se vai bater por Portugal. E sabem como ela se bate”, lembrou Catarina, concluindo que no Bloco de Esquerda “trabalhamos todos os dias para libertar o país das garras do sistema financeiro”.

Sessão de Encerramento do Socialismo 2016| ESQUERDA.NET

Socialismo 2016 | “2017 terá de ser o ano do combate às rendas na saúde e energia" | ESQUERDA.NET

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