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2013 foi o sexto ano mais quente

Variação das anomalias de temperaturas médias e de precipitação / OMM

A Organização Meteorológica Mundial afirma que 2013 foi o sexto ano mais quente já registado e que os eventos climáticos extremos vistos são consistentes com o resultado esperado das mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas. Por Fabiano Ávila, Instituto CarbonoBrasil

 

Treze dos quatorze anos mais quentes já registados aconteceram depois de 2000, e cada uma das três últimas décadas teve temperatura média mais elevada do que a anterior. Além disso, 2013 teve temperatura média de 14,5°C, cerca de 0,5°C acima da média para 1961-1990, ficando em sexto lugar, empatado com 2007, no ranking dos anos mais quentes.

É com essas constatações que um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o Estado do Clima 2013, rebate as críticas de quem ainda acha que o aquecimento global não existe ou que tenha “parado”.

“Não existe isso de pausa no aquecimento global. Os nossos oceanos estão a aquecer a ritmo acelerado e cada vez mais em profundidades maiores. Mais de 90% do excesso de energia contido pelos gases do efeito de estufa está a ser armazenado nos oceanos. Os gases do efeito de estufa estão em nível recorde, o que significa que a nossa atmosfera e os oceanos continuarão a aquecer por séculos. As leis da física não são negociáveis”, afirmou Michel Jarraud, secretário-geral da OMM.

Destacando os eventos climáticos extremos, como secas, ondas de calor, enchentes e ciclones tropicais, que foram frequentes e particularmente intensos em 2013, Jarraud salienta a contribuição humana para esse cenário.

“Fenómenos naturais como erupções vulcânicas ou os eventos El Niño ou La Niña sempre contribuíram para o nosso clima, influenciando temperaturas ou causando desastres como secas e enchentes. Porém, muitos dos eventos extremos de 2013 são consistentes com o resultado esperado para mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas. Vimos pesadas precipitações, calor intenso e mais prejuízos por tempestades e enchentes costeiras como consequência do aumento do nível do oceano – como o tufão Haiyan tão tragicamente demonstrou nas Filipinas”, disse.

Alguns dos destaques do clima em 2013, segundo a OMM, foram:

- O Tufão Haiyan (Yolanda), uma das tempestades mais fortes a tocar o solo do planeta, devastou partes das Filipinas;

- As temperaturas do ar sobre a terra no Hemisfério Sul estiveram muito quentes, provocando ondas de calor: a Austrália teve em 2013 o seu ano mais quente da história, a Argentina, o seu segundo, e a Nova Zelândia, o seu terceiro;

- O nordeste do Brasil experimentou a sua pior seca dos últimos 50 anos;

- O ar polar avançou sobre partes da Europa e dos Estados Unidos;

- Pesadas chuvas de monções levaram a enchentes na fronteira da Índia e Nepal;

- Pesadas chuvas e enchentes afetaram o Sudão e a Somália;

- Seca na sul da China;

- O tornado mais largo já visto atingiu o Oklahoma, nos Estados Unidos;

- Precipitação extrema levou a enchentes na Áustria, Alemanha, República Checa, Polónia e Suíça;

- Israel, Jordânia e Síria sofreram com tempestades de neve sem precedentes;

- A concentração de gases do efeito de estufa chegou a níveis recordes;

- Os oceanos atingiram um novo recorde de avanço;

Juntamente com o Estado do Clima 2013, a OMM está a divulgar um estudo de caso sobre a situação da Austrália, que vem experimentando eventos extremos e temperaturas bem acima das normais.

O país mostraria com ainda mais clareza como as atividades humanas estão a afetar o clima.

“A comparação de simulações climáticas com ou sem fatores humanos mostra que o verão de calor recorde na Austrália em 2012/2013 foi cinco vezes mais provável de acontecer quando considerada a influência humana. Além disso, o recorde de temperaturas em 2013 seria virtualmente impossível sem a contribuição humana para os gases do efeito estufa”, explica o estudo.

O Estado do Clima 2013 estará disponível em breve no portal da Organização Meteorológica Mundial.

Artigo de Fabiano Ávila publicado em Instituto CarbonoBrasil

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