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1966: um ano de transição na história do cinema

A Cinemateca Portuguesa vai dedicar o mês de janeiro a 1966, revisitando esse "ano do óbito da época clássica" e do florescimento da modernidade, através de filmes de Antonioni, Bergman, Hitchcock, Truffaut ou Paulo Rocha, como o seu sugestivo Mudar de Vida.
O único filme português neste ciclo é Mudar de vida, segunda longa-metragem de Paulo Rocha, recentemente restaurada em cópia digital.

De acordo com a programação divulgada, o ciclo "1966, uma viagem fantástica" - só com filmes estreados nesse ano - começa a 4 de janeiro com Persona, o filme que permitiu a Ingmar Bergman realizar "uma revolução na linguagem cinematográfica".

"Em 1966, o mundo estava a mudar e o cinema também. Enquanto a guerra do Vietname estava a ferro e fogo, com mais de 250 mil soldados americanos envolvidos no conflito, morria Walt Disney, essa máxima expressão da mais sonhadora inocência americana. John Ford fazia o último filme (Seven Women) no mesmo ano em que Monte Hellman fazia o primeiro (The Shooting). Na China tinha início a Revolução Cultural, a URSS voltava a fechar-se depois do breve período de degelo a seguir à morte de Estaline, e em França sentiam-se os sinais da iminente 'revolução cultural' de 1968, com o episódio em torno da censura do La Religieuse de Jacques Rivette e a coincidência de ser o ano do Farenheit 451 de Truffaut, um filme sobre a censura”, lê-se na programação da Cinemateca.

No Ciclo que evoca o ano de 1966, propõem-se filmes de Ingmar Bergman, Gilles Pontecorvo, Michelangelo Antonioni, Roman Polanski, Robert Bresson, François Truffaut, Andrei Tarkovski, Luigi Comencini, Alfred Hitchcock, Richard Fleischer, Jerzy Kawalerowicz, Arthur Penn, Jean-Eustache e Jean-Luc Godard, Orson Welles ou Paulo Rocha.

Entre os filmes mais significativos desse ano de 1966, a Cinemateca escolheu Blow Up – A História de um Fotógrafo, uma das obras-primas de Michelangelo Antonioni, O beco, de Roman Polanski e Made in USA, de Jean-Luc Godard.

“A modernidade vibrava: é o ano do Persona de Bergman, é o ano do Blow-up de Antonioni, é ano do Père Noel de Eustache e do par de filmes – Masculin Feminin e Made in USA – do febril Godard, que por si mesmos quase condensam todo o zeitgeist de 1966, entre a atmosfera política e a intensidade da cultura pop (...)”, descreve a Cinemateca.

O único filme português neste ciclo é Mudar de vida, segunda longa-metragem de Paulo Rocha, recentemente restaurada em cópia digital.

“Em Portugal, nesta altura, o cinzentismo dos dias encontrava algum consolo em Eusébio e nos Magriços do Mundial de Inglaterra, enquanto a guerra em África era um assunto que se fazia por esquecer – mas que surgia mencionado no filme que Paulo Rocha estreou nesse ano, e que dizia muito claramente: Mudar de Vida”, lê-se no site da Cinemateca.

Eisenstein em destaque e novas rubricas

Janeiro será também o mês em que a Cinemateca recordará o cinema do realizador russo Sergei Eisenstein, com a presença em Lisboa de Naum Kleiman, historiador, crítico de cinema, cofundador do Museu Eisenstein, em Moscovo.

A Greve, O Couraçado Potemkine e Outubro são três dos filmes de Eisenstein nas sessões-conferência da Cinemateca com Naum Kleiman.

Em 2016, já  a partir de janeiro, a programação conta com duas novas rubricas regulares, respetivamente dedicadas ao cinema português - "História Permanente do Cinema Português" - e ao cinema de animação - "Imagem por Imagem" (Cinema de Animação).

A Cinemateca irá ainda recordar o cinema da atriz irlandesa Maureen O’Hara, falecida este ano, que entrou em filmes de John Ford, Sam Peckinpah, Nicholas Ray e Alfred Hitchcock.

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