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120 mil checos exigem nas ruas demissão do primeiro-ministro

O milionário populista Andrej Babiš, primeiro-ministro da República Checa, é acusado de utilização de fundos europeus para seu benefício. Uma auditoria da Comissão Europeia diz que há conflito de interesses entre o cargo e os seus negócios. Os checos responderam com a maior manifestação desde 1989.
Manifestação contra o governo em Praga a 13 de maio de 2019. Foto de Martin2035/wikicommons

Babiš decide onde serão gastos os fundos da União Europeia que chegam à República Checa. Babiš é um dos grandes beneficiários dos fundos da União Europeia. As suas empresas beneficiam de milhões de euros por essa via. Por isso, no relatório de uma auditoria feita pela Comissão Europeia admite-se que existe “conflito de interesses”.

Claro que o primeiro-ministro checo não concorda com este relatório. E esta quarta-feira Andrej Babiš respondeu-lhe com a retórica nacionalista. Este seria um “ataque à República Checa” para “desestabilizar o país” e os auditores responsáveis seriam “incompetentes”.

Mas pelo menos 120 mil checos não concordam com a sua versão da história. A manifestação em que participaram no final da tarde desta terça-feira terá sido a maior desde 1989.

E esta não é a primeira manifestação a colocar em causa a idoneidade do primeiro-ministro. Desde abril que tem havido manifestações semanais contra a corrupção. Babiš é acusado pela polícia de fraude em subsídios agrícolas no valor de dois milhões de euros num caso que tem já uma década.

Um Trump checo acusado de corrupção

Babiš é o segundo homem mais rico do país. Tem sido apresentado como o Trump checo. Chegou ao poder apoiado no populismo anti-imigração. E, aliás, o seu eurocetismo e nacionalismo acaba na justa medida dos fundos europeus que as suas empresas recebem. Foram 78 milhões de euros que o grupo agro-alimentar Agrofert embolsou de ajudas europeias.

Para desta área, Babiš também é dono de um império mediático que inclui dois dos maiores jornais do país. A partir daqui entrou na política as acusações que já vêm de longe de fraudes fiscais, de desvios de fundos e de outros delitos económicos não o impediram de se posicionar como o candidato “anti-corrupção” e anti-sistema.

A polémica estende-se à sua vida antes da queda do regime dito do socialismo real checo. Babiš foi acusado pelo Instituto Nacional da Memória da Eslováquia de ser um colaborador da polícia política do regime. Mais recentemente, em setembro de 2016, instalou-se uma outra polémica quando o primeiro-ministro declarou que o campo de concentração para ciganos em Lety seria apenas um “campo de trabalho para pessoas que não trabalhavam”.

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