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100 mil marcharam em Milão contra os muros e pelo acolhimento

“Não queremos muros” e “Ninguém é ilegal” foram as palavras de ordem mais ouvidas nesta marcha a favor dos direitos dos migrantes e contra o racismo e a xenofobia.
Foto Valerio De Cesaris/Twitter

A manifestação deste sábado foi convocada pelo presidente da Câmara de Milão e tornou-se a maior das últimas décadas em Itália a favor do acolhimento de migrantes. “Um vento de intolerância está a derrotar-nos. Precisamos de fortalecer o sistema de acolhimento de migrantes baseado no envolvimento de todas as comunidades e instituições”, dizia a convocatória da manifestação que juntou cerca de 100 mil pessoas na região de Itália que acolhe mais migrantes.

“Quero ser um construtor de pontes, não de fronteiras. Nunca iremos virar as costas, continuaremos a ser uma cidade que apoia” os migrantes, declarou o edil milanês Giuseppe Sala. Também o presidente do Senado falou no palco montado para os discursos, dizendo que a marcha foi uma resposta aos que querem “erguer muros ideológicos e culturais”. “Quem nasce neste país, estuda com os nossos filhos, torce pelas nossas equipas” é italiano, defendeu Pietro Grasso, respondendo à campanha da direita italiana para mais repressão sobre os refugiados e migrantes.

Entre os participantes na marcha contavam-se vários atuais e antigos responsáveis políticos e sindicais e muitas associações de migrantes e de apoio ao acolhimento. Uma parte do cortejo, que juntava associações e centros sociais sob o lema “Ninguém é ilegal”, sublinhou as críticas à lei Bossi-Fini que reprime os migrantes desde 2002, bem como à vontade do atual ministro Marco Minniti em acelerar as deportações de quem entra no país para fugir à fome e à guerra. Apesar da presença de muitos políticos do Partido Democrático, alguns foram vaiados por uma parte dos manifestantes.

No ano passado o país recebeu 123 mil pedidos de asilo e desde o início de 2017 já chegaram mais de 46 mil migrantes à costa italiana, uma subida de 30% face ao ano anterior. O número de mortos na travessia do Mediterrâneo também está a aumentar, com a Organização Internacional para as Migrações a estimar que 1244 pessoas tenham morrido desde o início do ano ao largo da Líbia.

 

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