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“Governo empurra para depois das eleições as más notícias que tem para dar ao país”

“Quando o Governo atira para a última avaliação a apresentação de novas medidas o que nos diz é que o último capítulo do memorando da troika será um novo capítulo sangrento de ataque aos direitos das pessoas, de ataque ao Estado Social”, avançou o líder parlamentar do Bloco após a conferência de imprensa do Governo sobre a 11ª avaliação da troika.
Foto de Tiago Petinga, Lusa.

“O que nós constatamos é que a destruição feita no país, dos salários, das pensões, da economia ao longo de dois anos levará mais de uma década a recuperar. O Governo destrói mais do que aquilo que consegue recuperar”, avançou o líder parlamentar do Bloco de Esquerda após a conferência de imprensa do Governo PSD/CDS-PP.

“Este foi o caminho da destruição e não é o caminho da recuperação”, frisou Pedro Filipe Soares.

Segundo o dirigente bloquista, “esta foi a demonstração de que o Governo não fala toda a verdade”, já que “quando atira para a última avaliação a apresentação de novas medidas o que nos diz é que o último capítulo do memorando da troika será um novo capítulo sangrento de ataque aos direitos das pessoas, de ataque ao Estado Social”.

“E mente quando diz que não vai fazer nenhuma alteração salarial. A criação de uma tabela salarial única, as alterações na contratação coletiva, a revisão dos complementos na administração pública, os despedimentos, tudo isto significa reduzir o salário, alterar as condições e os direitos no trabalho, o que traz mais precariedade, menos vida, menos economia”, avançou o deputado do Bloco, sublinhando que o “Governo insiste na política da troika e não apresenta soluções para o país, trazendo mais austeridade”.

Para Pedro Filipe Soares, “o que marca esta conferência de imprensa é o Governo não ter dito com transparência, olhos nos olhos, quais são as medidas que já está a preparar para apresentar à troika na última avaliação”. “Essa era a pergunta que estava em cima da mesa”, destacou.

“Quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão Europeia nos dizem que teremos mais austeridade em 2015, o que o Governo deveria ter dito hoje é aquilo que está a esconder e não empurrar para depois das eleições europeias as más notícias que tem para dar ao país”, defendeu, referindo que “para sabermos o que temos pela frente basta “ler nas entrelinhas das frases do governo”: tornar permanentes os cortes temporários, reduzir salários, quer no setor público como no privado…

“Este é o programa que o Governo tem escondido para aplicar”, rematou o líder parlamentar do Bloco de Esquerda.

Troika quer aprofundamento de reformas

No comunicado acerca da 11.ª avaliação, a troika defende a necessidade do que classificou como um “aprofundamento” das reformas estruturais, fazendo referência à necessidade de combater a “rigidez no mercado laboral” e de tornar a administração pública “mais amigável para as empresas”.

O Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o FMI frisam que, “caso se materializem quaisquer riscos à execução do orçamento, o Governo mantém-se comprometido com a implementação de medidas compensatórias de tamanho e qualidade equivalentes para atingir a meta do défice acordada”.

Segundo a própria ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, o executivo terá ainda de apresentar medidas para concluir a 11.ª avaliação do programa de assistência financeira.

“Há um conjunto de medidas que estarão concluídas até ao momento final desta avaliação, que é naturalmente o que dá origem ao desembolso”, avançou a responsável governamental.

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