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Vinte perguntas

1. Como e quando decidiu o primeiro-ministro Ehud Olmert ir para a guerra em resposta ao ataque do Hezbollah e o rapto de dois soldados em 12 de Julho? Quem participou desta decisão e que critérios foram levados em conta?

 2. Houve alguém que considerasse a possibilidade de manter negociações com o Hezbollah em torno de um troca de prisioneiros? Foi feita a avaliação de que a operação do IDF (Forças de Defesa Israelita) iria pressionar o Hezbollah a libertar os soldados raptados, em troca de nada?

 3. Por que não foi bombardeado o evento onde Hassan Nasrallah falou no mesmo dia? Considerou-se esta possibilidade?

 4. Por que foi o vice-primeiro-ministro escarnecido na reunião do governo quando perguntou acerca dos estágios que se seguiriam à operação militar?

 5. Deu o chefe de Estado-Maior Dan Halutz aos dirigentes políticos a impressão de que uma ofensiva aérea seria suficiente para atingir os objectivos da guerra (libertar os prisioneiros, deslocar as forças libanesas para o Sul e desarmar o Hezbollah?

 6. Que sabiam Olmert e Amir Peretz acerca dos níveis de preparação do IDF para um confronto com o Hezbollah antes de terem decidido a guerra? Foram avisados das insuficiências do Exército?

 7. Por que foi suspenso o alerta no Comando Norte nas vésperas do ataque do Hezbollah? O que correu mal na forma como a força reagiu a um ataque do Hezbollah em 12 de Julho?

 8. Por que não conseguiu o serviço de informações localizar o esconderijo da liderança do Hezbollah?

 9. Por que os mísseis de cruzeiro anti-navios surpreenderam o IDF? E porque é que os sistemas de defesa do seu avançado navio de guerra estavam desligados durante uma missão na costa libanesa?

 10. Que informações havia sobre os mísseis antitanque do Hezbollah e que tácticas de defesa contra eles se usaram?

 11. Que informações havia sobre os planos de guerra do Hezbollah? Foram passados ao Comando Norte?

 12. A Força Aérea recebeu ordens para atacar casas perto dos locais de lançamento de rockets e, como resultado disso, atingir civis em Qana em 30 de Julho?

 13. Foram suspensas as restrições aos ataques da Força Aérea e foi esta a causa de mais baixas civis?

 14. Como é que Israel foi empurrado para uma hesitante ofensiva terrestre no Líbano, quem a ordenou e quais eram as considerações e os objectivos da liderança política?

 15. Por que foi atacada Bint Jbail? Era um exercício? O que sabíamos em relação às forças do Hezbollah que lá estavam?

 16. Antes da decisão de ir à guerra, alguém levantou a possibilidade de que o Hezbollah seria capaz de disparar 100-200 rockets diários para o Norte, durante um mês?

 17. Quem era o responsável de tomar conta da população do Norte [de Israel] antes e durante a guerra? Por que não foi preparada uma evacuação ordenada?

 18. Como foram as unidades de reserva mobilizadas com apoio logístico insuficiente?

 19. O que queria dizer o primeiro-ministro no seu discurso de 1 de Agosto ao mencionar que os resultados da guerra eram "sem precedentes"?

 20. Por que Olmert e Peretz decidiram expandir a ofensiva terrestre na sexta-feira - uma decisão que custou as vidas de muitos e danificou a imagem externa de Israel - justamente quando o Conselho de Segurança aprovava o cessar-fogo?

Sobre o/a autor(a)

Editor de assuntos diplomáticos do diário israelita Haaretz
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Resto dossier

Israel depois da guerra

A derrota na segunda maior guerra jamais travada pelo Estado de Israel provocou uma polémica violentíssima em todo o país, com sérios indícios de crise. De repente, Israel descobre que o famoso serviço de informações não sabia nada do Hezbollah, que o exército afinal não é imbatível, que o chefe do Estado-Maior não é um herói, mas um aproveitador.

Quem ganhou?

Viagem à Guerra sem Nome

Dois artigos do jornalista brasileiro Bernardo Kucinski, enviado especial da Agência Carta Maior a Israel. O primeiro, Viagem à guerra sem nome, afirma que entre os israelitas há um consenso de que o Hezbollah foi o único vitorioso da guerra. E que o primeiro-ministro Ehud Olmert vai cair. O segundo, A Guerra das Katyushas - um diário de viagem, mostra que o efeito da chuva de rockets sobre Israel teve um efeito mais psicológico que material. O jornalista teve dificuldade de encontrar vestígios da destruição provocada por eles.

Vinte perguntas

O que correu mal

Esta lista de 20 perguntas, escrita pelo editor de assuntos diplomáticos do diário israelita Haaretz, reflecte bem a perplexidade diante da derrota na segunda guerra mais longa jamais travada por Israel. Levanta questões sobre a ausência de opções diplomáticas, erros militares evidentes, falhanços completos do tão famoso sistema de informações, e divisões óbvias durante a própria condução da guerra. O gigante militar afinal também tem pés de barro.
As falhas / Vinte perguntas

Por Aluf Benn, editor de assuntos diplomáticos do diário israelita Haaretz

Da Mania à Depressão

Este artigo de Uri Avnery faz um balanço desassombrado da segunda guerra do Líbano e alerta para o perigo da nova retórica da direita israelita: a teoria de que a vitória militar foi impedida pelos políticos quando estava à beira de ser conquistada. "O que ficou claramente demonstrado", diz, " é que não há solução militar. Isto é verdade no Norte. Também é verdade no Sul, onde nos confrontamos com um povo inteiro que já nada tem a perder."

Deixem o diabo assumir amanhã

Moshe Arens, antigo político do Likud, foi ministro da Defesa por três vezes e embaixador de Israel nos EUA entre 1981 e 1983. Em 1999, enfrentou o seu protegido Benjamin Netanyahu na disputa pela liderança do Likud, mas obteve apenas 18% dos votos. Netanyahu trouxe-o de volta para o Ministério da Defesa, que abandonou, assim como a actividade partidária, no final desse ano, quando o Likud perdeu as eleições.Neste artigo, publicado no Haaretz no dia 13, ele acusa a actual liderança israelita de ter desperdiçado a posição de força de Israel em função de raciocínios de curto prazo, e pede a sunstituição de todos eles.