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Primárias EUA: perfil dos principais candidatos

Há mais marés que estrategas, e a história dos vencedores das primárias americanas ainda está para ser escrita. O campo republicano conta já com 3 vencedores, e Giuliani poderá juntar-se a Mccain, Huckabee, e Romney após as primárias da Flórida. Depois da vitória inesperada de Hillary Clinton no New Hamsphire, contra as expectativas dos fazedores de opinião, a corrida polarizou-se (e azedou) entre esta e Barack Obama. Previsões à parte, importa desde já conhecer o perfil dos principais candidatos. Um deles será o próximo presidente dos EUA.  

Democratas

Mike Gravel: Foi senador do Alasca nos anos 60 e 70. Ganhou notoriedade por ter divulgado os documentos do Pentágono sobre o Vietname, abrindo caminho à demissão de Nixon. É uma candidatura da esquerda desalinhada dentro do Partido Democrata (PD) e a sua visibilidade nos media foi residual. A base de apoio online nunca arrancou e luta neste momento para conseguir aparecer no boletim de voto dos principais estados da "super 3a feira." Alguns dos seus vídeos de campanha tornaram-se ícones na denúncia do absurdo politico.

Dennis Kucinich: É o candidato da esquerda do Partido Democrata, contra a guerra e a privatização de serviços públicos, e a favor do casamento gay e legalização de drogas leves. Kucinich é deputado na eleito pelo Ohio e uma das faces mais visíveis do "Congressional Progressive Caucus", tendência que agrupa um terço dos deputados na Casa dos Representantes. Colhe também algum apoio entre movimentos grassroot do Partido Democrata. A máfia de Cleveland colocou a sua cabeça a prémio no final dos anos 70 por se recusar a privatizar uma central eléctrica. A esquerda que representa sai enfraquecida das primárias, em parte devido à polarização entre os principais candidatos. Deixou de ter visibilidade nos media, não elegendo quaisquer delegados. Apelou ao voto em Barack Obama no caucus do Iowa, onde os apoiantes de Kucinich não atingiriam a barreira da "sustentabilidade" de 15%.

 

Hillary Clinton: Senadora por Nova Iorque. É uma figura pública desde a última administração Clinton e presença proeminente do establishment de Washington. Já foi dada como vencedora antecipada e só agora vê a "inevitabilidade" da sua eleição questionada pela ascensão de Obama. A sua maior fragilidade é ter votado favoravelmente a intervenção no Iraque e continuar a aceitar financiamento de lóbis de Washington (ao contrário de John Edwards e Barack Obama). Certos republicanos (como Karl Rove) apostam em Hillary Clinton para despertar a vaga conservadora do fim dos anos Clinton que levou Bush ao poder. Foi administradora da Walmart nos anos 80.

Barack Obama: Senador pelo Illinois desde 2004. Orador carismático e electrizante, tem usado a sua postura anti-establishment para encarnar o movimento pela mudança. A improbabilidade do seu percurso é disso testemunha: filho de Pai Queniano e mãe do Midwest americano, cresceu na Indonésia e recusou emprego em Wall Street para se dedicar ao trabalho comunitário nos bairros degradados de Chicago. Foi ganhando apoio a nível estadual e ganhou destaque nacional com a intervenção de apoio a John Kerry na convenção democrata de 2004. Disputa com Hillary Clinton a nomeação presidencial. Por agora é Obama que recolhe mais simpatia entre o eleitorado Republicano e independentes. Foi contra a intervenção no Iraque, numa altura em que não fazia ainda parte do Senado. Com John Edwards, é quem defende uma retirada mais expedita do Iraque, embora proponha um plano de saúde sem cobertura universal. Recebeu o apoio de Kucinich nos círculos do caucus do Iowa onde este não obtivesse os necessários 15%.

John Edwards: Antigo senador pela Carolina do Norte e candidato de John Kerry a vice-presidente em 2004. Ocupou o espaço politico da esquerda democrata com um discurso contra a pobreza e a especulação empresarial, revendo a posição inicial sobre a guerra, e propondo um plano de saúde universal. Poderá vir a tornar-se o fiel da balança nas contas de delegados, repetindo uma candidatura a vice-presidente. Recebeu o apoio de Ralph Nader, ex-candidato presidencial pelo Partido dos Verdes, no caucus do Iowa. 

Republicanos

Mitt Romney: Ex-Governador do Massachussets. A fé Mórmon (com implantação no estado do Utah, onde Romney assumiu a gestão dos Jogos Olímpicos de Inverno de Salt Lake City) é ainda recebida com cepticismo na base eleitoral conservadora, mas coloca-o na necessidade de defender a separação entre Estado e Igreja. Fez a sua fortuna pessoal mediando capitais de risco e é com ela que vai financiando a campanha. Assumiu posições mais liberais para ganhar o voto popular em Massachussets e a disputa falhada para o senado (nomeadamente em relação ao aborto e casamento homossexual). O pai, industrial da Motown, foi governador do Michigan, estado onde Romney ganhou as eleições primárias.

 

John Mccain: Senador desde os anos 80 eleito pelo Arizona. É frequentemente apresentado como o Republicano moderado que mais procurou entendimentos com Democratas. O seu papel na muito negociada lei de imigração (que propunha uma amnistia parcial a imigrantes ilegais) é frequentemente criticada à direita. Contudo, John Mccain tem cortejado sectores mais conservadores e religiosos. De idade avançada e fragilizado por anos de cativeiro no Vietname, propõe-se realizar um mandato presidencial. Recentemente, defendeu que os EUA deviam permanecer no Iraque por pelo menos mais 100 anos. Chegou a despedir toda a sua equipa no final de 2006 mas renasceu com a vitória no New Hamsphire, onde já vencera em 2000.

 

Mike Huckabee: Governador do Arkansas. Tenta reeditar, à direita, o sucesso de Bill Clinton como ex-governador de Little Rock. Apresenta-se como homem do povo, de formação teológica, e fora do mainstream republicano. A facilidade no trato e o uso do humor camuflam uma mensagem conservadora e religiosa. Sugeriu recentemente ajustar a constituição americana ao texto da Bíblia. A vitória no Iowa corresponde à comunidade rural e conservadora e não deverá ser repetida noutros estados. Está sem dinheiro e homens de campo a nível nacional. Não deverá colher grande apoio nas primárias do Nevada pois defende a ilegalização do jogo.


Ron Paul: Congressista pelo Texas. Se em 2004 a internet descobriu Howard Dean, 2008 foi o ano da candidatura de Ron Paul. A oposição vocal de Ron Paul ao Patriot Act e à guerra no Iraque tornou-o, por demérito próprio, um femómeno na net que forçou as principais cadeias de televisão a dedicar-lhe atenção in extremis. Foi candidato em 1988 pelo Partido Libertário e a sua base eleitoral situa-se na mensagem libertária anti-fiscal. Defende o desmantelamento do Estado e a passagem à soberania fiscal dos estados. É ginecologista de profissão mas anti-escolha.

 

Rudy Giulliani: Ex-Mayor de Nova Iorque. Ganhou visibilidade nacional com a sua intervenção no pós-11 de Setembro, embora o seu papel real nesse momento perturbe de tempos a tempos essa imagem. Aposta tudo com a nomeação na Florida e nos estados urbanos à volta de Nova York, embora uma vitória por escassa margem aí e o tempo perdido possa não ser recuperável. Apesar de pró-escolha, defende a revogação da constitucionalidade desse direito, deixando o assunto à decisão de cada estado. A eficácia na gestão desta posição faz-lhe merecer o apoio de conservadores religiosos como Pat Robertson. Contudo, o seu estilo desprendido e liberal não colhe simpatia na base tradicional republicana (nomeadamente o seu apreço por transformismo)

Fred Thompson: Ex-senador pelo Tennessee. É mais conhecido como actor em programas como Lei e Ordem, e a sua personna política e da televisão confundem-se frequentemente (foi no programa de Jay Leno que Fred Thompson apresentou a sua candidatura). Apresenta-se como o "conservador consistente" mas a entrada tardia na corrida não veio desequilibrar as candidaturas instaladas. Retirar-se-á se não obtiver um resultado expressivo nas próximas primárias.

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Resto dossier

Primárias nos EUA

Começa a contagem final para George W. Bush deixar a Casa Branca. Em Novembro, quando se eleger um novo presidente, a face visível do neo-conservadorismo (ou o que foi restando dela) abandona o palco principal da política americana, embora seja quase certo que a sua herança se faça sentir por muito tempo. Para já, a população, estado a estado, vota para escolher quem serão os candidatos dos dois principais partidos. O Esquerda.net dedica este dossier às primárias nos EUA.

O dia em que os canais de TV ganharam a lotaria

O processo eleitoral é refém das redes de televisão, através do controlo que estas exercem sobre as ondas hertzianas.

Os tabus dos candidatos

Eis uma pequena lista de coisas que você não vai ouvir dos principais candidatos nesta temporada de primárias presidenciais. Chamem-lhes tabus dos candidatos.

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Primárias: como e para quê?

Os cidadãos dos EUA vão escolher um novo presidente no dia 4 de Novembro de 2008. Mas esta data é apenas o culminar de um longo processo eleitoral, que já começou. Em todos os Estados do país, os eleitores de cada um dos principais partidos - Democrata e Republicano - mas em alguns casos também eleitores independentes - elegem delegados afectos ao candidato da sua preferência. Veja como funciona este processo, e consulte também o calendário das primárias.

A campanha no YouTube

Os anúncios televisivos são uma componente importante nas primárias, e nenhum candidato negligencia este veículo para chegar aos eleitores. O Esquerda.net juntou um conjunto de vídeos das principais candidaturas dos dois partidos. Descubra as diferenças.