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O Zé Mário nunca deixou que pensassem pela sua cabeça

Em declarações ao esquerda.net, Afonso Dias, que foi um dos fundadores do Grupo de Acção Cultural (GAC), afirmou que José Mário Branco, a par de ser um músico, arranjador e criativo brilhante, era um “cidadão livre e independente”.

Quando foi a primeira vez que ouviste falar sobre o José Mário Branco?

Eu ouvi falar pela primeira vez no Zé Mário Branco quando ele gravou para a produtora Sassetti os dois álbuns que publicou quando estava exilado em França: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e “Margem de certa maneira”. Isto em 1972/73.

E qual foi a primeira impressão que te deixou o seu trabalho?

Um músico muito inspirado, um compositor muito inspirado. Um bom letrista. Musicalmente e poeticamente, aqueles dois álbuns foram uma novidade. Não era uma música a que estávamos habituados em Portugal. Tínhamos aqui o movimento da Balada, que estava no auge na altura. E o auge era sobretudo o Zeca, mas também outros músicos, como o Fanhais. Aquela música que o Zé Mário fez, e, sobretudo, aqueles arranjos, eram uma novidade aqui. Ele trouxe, já nessa altura, a orquestração a vestir as músicas, a dar-lhes um ambiente mais rico, mais intenso. Com bons versos, pegando nos poetas portugueses, desde logo o Camões, com “Mudam-se os tempos”, mas também a “Queixa das Almas Jovens Censuradas”, com a Natália Correia. Foi uma surpresa muito grata.

Como, e quando, vieste, entretanto, a conhecê-lo pessoalmente?

Pessoalmente, conheci o Zé Mário em 1974. Aqui posso ser um pouco exato. Eu também andava por aí nas cantigas e morava ali próximo de Almada, na Piedade. Nessa altura, houve uma sessão de canto livre na Academia Almadense. Ouvi dizer que ia lá o Fausto, com quem eu já tinha cantado na Universidade, em Lisboa, o Tino Flores, que eu não conhecia, mas de quem já tinha ouvido falar, e o José Mário Branco. Fui lá ter com eles e acabei por também cantar. Quando saímos dali, fomos para casa do Fausto, que morava na Estrada de Benfica. E foi nessa madrugada que nasceu o Grupo de Acção Cultural (GAC). Sabíamos que havia muito para cantar e onde cantar, e que era preciso estar disponível. Discutimos um pouco que nome havíamos de dar, se seria coletivo de ação cultural, mas éramos poucos e decidimos chamar-lhe Grupo de Acção Cultural.

A sessão na Academia Almadense teve lugar poucos dias após aquele grande encontro dos músicos portugueses, no Porto, em que as águas se dividiram. Éramos todos antifascistas e toda a gente cantava pela Liberdade, contra a ditadura e contra a Guerra Colonial. Uma vez conquistada a Liberdade, aquilo que antes nos aproximava, que era a luta contra o fascismo, já era insuficiente para nos juntar depois do 25 de Abril. Outros valores acabaram por assumir protagonismo. E nesse encontro as posições ideológicas extremaram-se. Havia aquela corrente muito ligada ao PC [Partido Comunista], que tinha sido, sem dúvida, a força mais relevante no tempo da luta antifascista, e todas as outras correntes político-ideológicas que, entretanto, tinham maturado na emigração, e mesmo no interior do país, e que se distinguiam de maneira claríssima do PC. E foi esta separação de águas que acabou por se desenhar de uma forma muito precisa nesse encontro dos músicos portugueses.

Então, os fundadores do GAC foste tu, o José Mário Branco, o Tino Flores e o Fausto…

Sim. Aliás, com o Zé Mário Branco tenho duas fundações assinaláveis, direi eu a esta distância: o GAC em maio e a UDP no final do ano.

Que projetos, que atividades desenvolveram no âmbito do GAC?

Bem, no imediato, foi estarmos disponíveis para o que fosse preciso. Íamos onde fosse preciso “dar o corpo ao manifesto”, cantar, animar as pessoas, ter um papel agregador no âmbito do agitprop daqueles tempos. Começámos a correr o país todo. Entretanto, foram-se juntando outros cantores que ouviam falar sobre o GAC: o José Júlio Gonçalves, o António Duarte, de Unhais da Serra, o Fernando Laranjeira, entre outros. Isto ainda no verão de 74. Tivemos de comprar uma carrinha. Foi o Zé Mário que, com 43 contos - salvo erro - que tinha a receber de direitos de autor comprou uma aparelhagem e uma carrinha. Mais nenhum de nós tinha dinheiro para tal [Risos].

Fizemos coisas muito giras nesse período. Sobre a luta dos trabalhadores do Jornal do Comércio, por exemplo. Vínhamos de tocar em Grândola, o Tino, o Zé Mário e eu, e fizemos uma cantiga para apresentar numa iniciativa de solidariedade no Coliseu dos Recreios. Cantámos a canção lá. Fizemo-la uma hora ou duas antes, cantámo-la, e depois gravámo-la. Diria que foi uma das primeiras canções heroicas que o GAC fez.

O Zé Mário não esteve o tempo todo que o GAC durou, e eu também não, na medida em que houve o período da Assembleia Constituinte, em que fui deputado. Mas, no tempo de existência do GAC, participei em largas centenas de sessões – calculo que tenham sido 800 ou 900 - pelo país todo. E estivemos nos espaços mais diversos: nos quarteis, nas fábricas… Em todo o lado. Foi intensíssimo.

Eu e o Zé Mário comemos muitas vezes juntos, contámos muitas vezes os trocos para comer [Risos]. Enfrentámos também muitas incompreensões. Pedir um apoio para a gasolina quando tínhamos de atravessar o país para ir cantar a algum lado era censurável. Cantar não era propriamente considerado como trabalho. Houve uma altura em que eu, o Zeca, o Vitorino, o Sérgio Godinho, o Pedro Barroso, entre outros, fundámos a Cooperativa Era Nova para alguém poder pedir dinheiro pelo nosso trabalho. Porque não nos atrevíamos a fazê-lo. Nem sabíamos que dinheiro é que devíamos pedir [Risos].

Imagino que, muitas vezes, as condições também eram bastante precárias…

Sempre nas condições mais precárias [Risos]. Com equipamentos de som medíocres ou até inexistentes. Tudo isso acontecia. Mas as coisas resultaram e funcionaram um bocado como resultam e funcionam sempre em circunstâncias semelhantes. Ou seja: era preciso. E, se era preciso, fazia-se. Não havia muito som, havia pouco. Não havia nenhum, era nenhum. Fosse o que fosse, as coisas resultavam.

Quais foram as experiências com o Zé Mário que mais te marcaram? Lembras-te de algum momento em particular?

Eu privei muito com o Zé Mário. Pelo menos nos primeiros tempos do GAC, eu e o Zé Mário éramos os mais próximos. Eu relevo sobretudo isto: o Zé Mário foi sempre uma pessoa muito serena, muito ponderada. Nunca vi o Zé Mário Branco irritado. Não me lembro de uma irritação, de uma zanga. E não era comigo, era fosse com quem fosse.

Depois, em termos criativos, era um poeta de grandes méritos, de grande competência e, musicalmente, sobretudo, era um músico de imenso talento, imensa capacidade. Um grande criativo. O seu talento como músico revelava-se essencialmente como compositor, mas ainda mais como orquestrador, como produtor, como hoje se chama. Ele produziu coisas notáveis. Já podíamos confirmá-lo através dos discos do Zeca que ele arranjou: “Cantigas de Maio” e “Venham mais cinco”.

Um dia apareceu-lhe à porta o Camané para lhe pedir para orquestrar um fado. O Zé Mário detestava Fado. O “Cantiga é uma arma” tem o “O faduncho choradinho de tabernas e salões semeia só desalento misticismo e ilusões canto mole em letra dura nunca fez revoluções”, que foi o Zé Mário que escreveu. Mas apareceu-lhe o Camané, talentoso, com uma voz bonita, e uns fados. E o Zé Mário fez uns arranjos em que libertou o fado tradicional. Já muitos anos antes, o Alain Oulman fez fados para a Amália. O Zé Mário também fez um ou outro fado mas, sobretudo, tratou os fados tradicionais com a elegância da modernidade criativa. A expressão é um bocado gongórica, mas é a que me ocorre. Hoje, o fado que se canta, o fado ao melhor nível, tem também já uma marca do Zé Mário. E isto é, culturalmente, muito relevante.

O que é que o Zé Mário representa hoje na música e na sociedade portuguesa? Qual é a “maior herança” que ele nos deixou, por assim dizer?

O Zé Mário, para além do seu legado como músico, como arranjador, como criativo brilhante e, de alguma forma, independente, deixa, como cidadão, uma marca que, se calhar, é, publicamente, uma das menos conhecidas: a sua extrema independência. O Zé Mário nunca deixou que pensassem pela sua cabeça. Recusou ser condecorado pelo Mário Soares. Lembro-me de ele comentar que quem condecora também tem de merecer o condecorado. Soube hoje, ao ouvir o Marcelo Rebelo de Sousa, que o Marcelo o convidou a ser condecorado e o Zé Mário, “educadamente”, e pelas próprias palavras do presidente da República, “recusou ser condecorado”. O Zé Mário tinha este desinteresse, este desapego a honrarias. Relevo muito esta faceta do cidadão livre e independente. Era também um homem sofrido, amargo. Mas sempre disponível e lutador.


Testemunho recolhido por Mariana Carneiro, por telemóvel, a 19 de novembro de 2019.

* Afonso Dias - Cantor, compositor e letrista de canções, poeta intermitente, ator e encenador de teatro, dizedor de Poesia. Conjuntamente com Fausto, José Mário Branco e Tino Flores, foi, em 1974, um dos fundadores do GAC – Grupo de Acção Cultural no qual participou na produção e na gravação de 3 LP's e 8 EP's, e em centenas de espectáculos entre 1974 e 1978;

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Resto dossier

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José Mário Branco (1942-2019) - Fotos do arquivo de José Mário Branco http://arquivojosemariobranco

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