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O Mundo em 2012

Num ano dominado pela crise europeia, a Grécia esteve no olho do furacão. Os mais atacados pela troika foram também os que mais lutaram, com 21 greves gerais em dois anos. Em julho, o Syriza ficou a menos de 3% de ganhar as eleições, e permanece como a alternativa de governo para o país que luta. A Grécia está no centro do balanço internacional do ano do Esquerda.net. Dossier organizado por Luis Leiria.
O líder do Syriza, Alexis Tsipras

Lembramos alguns dos principais factos do ano: A luta por uma Internet livre; o regresso de Putin à presidência na Rússia e a perseguição às Pussy Riot; a derrota de Sarkozy em França, a eleição de Morsi no Egito; a Grécia em luta contra a troika; o asilo de Julian Assange na embaixada do Equador; o PRI de volta ao poder no México; a Venezuela diante de uma incógnita; a reeleição de Obama; a ameaça de invasão de Israel a Gaza; o estatuto de observador na ONU à Palestina.

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O Mundo em 2012

Num ano dominado pela crise europeia, a Grécia esteve no olho do furacão. Os mais atacados pela troika foram também os que mais lutaram, com 21 greves gerais em dois anos. Em julho, o  Syriza ficou a menos de 3% de ganhar as eleições, e permanece como a alternativa de governo para o país que luta. A Grécia está no centro do balanço internacional do ano do Esquerda.net. Dossier organizado por Luis Leiria.

A luta por uma Internet livre e aberta

Grandes mobilizações internacionais conseguiram suspender projetos de lei como o SOPA e o PIPA nos EUA e derrotar o ACTA, o Acordo Mundial Contra a Contrafação, no Parlamento Europeu. A espalhafatosa operação policial contra o site de partilha Megaupload também terminou com uma “megavitória” para o seu fundador, o empresário Kim Dotcom.

Putin volta à Presidência da Rússia

Presidente entre 2000 e 2007, primeiro-ministro entre 2007 e 2012, voltou à Presidência em 2012 afirmando que as eleições foram limpas, e enfrentando muita contestação da oposição. Mas a mais ruidosa oposição viria de um grupo punk-rock feminista, as Pussy Riot.

Franceses derrotam Sarkozy na segunda volta

Voto de esperança foi defraudado pelo socialista François Hollande que, apenas cem dias depois da posse, já se mostrava como “um social-liberal igual aos que já conduziram aos desastres grego, espanhol e português", nas palavras de Jean-Luc Mélenchon.

Egito: Irmandade Muçulmana assume o poder

O braço-de-ferro entre os islamitas e as Forças Armadas foi vencido pelo presidente Mohamed Morsi que, depois de vencer as eleições presidenciais, anulou a dissolução do Parlamento, demitiu os principais chefes militares e conseguiu aprovar uma nova Constituição por referendo. Só tropeçou quando tentou assumir poderes quase absolutos. A indignação popular fê-lo recuar.

Todos somos a Grécia!

Até há bem pouco tempo um pequeno partido, o Syriza é hoje a alternativa de poder no país mais castigado pelas imposições da troika. “Há já uns deslocamentos muito rápidos a acontecer na cena política. A sociedade está a procurar um caminho alternativo de saída e a manifestar-se em torno duma aliança nova, progressista, com a esquerda no seu núcleo”, disse Alexis Tsipras.

Assange resiste na embaixada do Equador

Fundador da Wikileaks foi forçado a buscar refúgio na embaixada do Equador em Londres, para não correr o risco de ir parar aos Estados Unidos, onde poderia ser condenado à morte. A partir desse pequeno apartamento, lutou para manter viva a organização e promete divulgar muitos documentos em 2013.

O PRI volta ao poder no México

Enrique Peña Nieto, candidato do PRI, obteve 38,1% dos votos e prometeu fazer um governo diferente. Um cientista político alerta que é preciso aceitar que o México é um país em guerra.

Venezuela diante da incógnita

Chávez venceu com margem confortável em outubro e o seu partido ganhou cinco governos à oposição em dezembro. Mas a possibilidade de o líder da revolução bolivariana não sobreviver à doença levanta enormes incógnitas e desafios.

Mais quatro anos para Obama

O presidente Barack Obama foi reeleito presidente dos Estados Unidos da América no dia 6 de novembro, numas eleições muito disputadas – mesmo depois de fechadas as urnas, as sondagens não se arriscavam a prever o vencedor.

Israel-Gaza: a invasão que não chegou a acontecer

Israel assassinou o chefe militar do Hamas que negociava uma trégua permanente e desencadeou uma ofensiva. Mas nunca chegou a fazer a anunciada invasão terrestre. Segundo Uri Avnery, o Hamas venceu mais este episódio do conflito.

ONU eleva Palestina a Estado observador não membro

Resolução teve 138 votos a favor, entre 193 países, e 41 abstenções. Apenas nove países votaram contra. Decisão foi uma pesada derrota para Israel e os EUA. Em represália, Israel anunciou a expansão dos colonatos e o confisco dos impostos palestinianos. No final do ano, pareciam estar reunidas as condições para uma terceira intifada.