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Números do petróleo

Para o economista norte-americano, colunista do New York Times, a alta do preço do petróleo explica-se porque houve um crescimento do produto mundial bruto, que não foi acompanhado pela produção petrolífera, que estagnou. Publicamos em seguida a tradução de duas colunas publicadas no diário norte-americano.

Por Paul Krugman, do New York Times

Números do petróleo

Há dois factos fundamentais que parecem explicar muito sobre o que está a acontecer com os preços do petróleo.
Em primeiro lugar, o crescimento do produto mundial bruto foi acelerado - de 2,9% na década de 90, para cerca de 5% nos últimos anos, de acordo com o FMI. Tudo isso é devido ao crescimento das economias emergentes, em grande parte da China.
Em segundo lugar, a produção petrolífera do mundo estagnou - após crescer cerca de 1,6% ao ano na década de 90, tem estado basicamente estável nos últimos três anos.
Portanto, temos um rápido crescimento da procura devido à industrialização na Ásia, colidindo com a estagnação da oferta, resultante de o petróleo estar cada vez mais difícil de encontrar. (O choque da procura é provavelmente ainda maior do que o valor do PIB sugere, por causa da China, cuja economia é altamente ineficiente no que se refere à energia).
E procura de petróleo é preço-inelástica - ou seja, são necessários grandes aumentos nos preços para persuadir as pessoas a um consumo significativamente menor.
Há provavelmente mais aspectos da história, mas estes parecem ser os elementos básicos. E parece ser uma receita para a subida dos preços num longo tempo que está para vir.
É isto que o pico do petróleo é suposto parecer - não "Meu Deus, acabamos de ficar sem petróleo", mas uma firme pressão sobre a economia e a nossa forma de viver perante a subida dos preços da energia e as suas consequências. Não importa muito se estamos literalmente no pico ou se a produção pode subir mais alguns milhões de barris por dia: a menos que haja grandes fontes de petróleo por descobrir, vamos estar a sentir este pico no futuro previsível.

15 de Abril de 2008

Mais sobre petróleo e especulações


Uma das coisas que eu acho curiosa na discussão sobre o conjunto do mercado petrolífero é a forma como as pessoas parecem torná-la complicada. Embrulham tudo em matérias relacionadas com mercados de futuros, capital-semente, etc, e perdem de vista o facto fundamental: que só há duas coisas a fazer com a produção de petróleo mundial: consumir-lo ou guardá-lo.
Se o preço está acima do nível em que a procura por parte dos consumidores finais é igual à produção, existe um excesso de oferta - e essa oferta tem que entrar nos inventários de stocks. Fim da história. Se os stocks de petróleo não estão a aumentar, não pode haver uma bolha no preço de mercado.
Agora, é verdade que o petróleo responde muito pouco ao preço, e que as estimativas empíricas de curto prazo sobre a elasticidade da procura, como esta, sugerem que é baixa - digamos .06. Mas, mesmo assim, a matemática de uma grade e sustentada bolha rapidamente se torna assustadora. Digamos que a elasticidade da procura é -. 06, e que se acredita que o preço actual está 40% acima do nível em que a procura para utilização final é igual à oferta. Então, temos de acreditar que 2 milhões de barris por dia estão a desaparecer em algum lugar secreto, uma vez que eles não aparecem nos dados do inventário da OCDE. Isso é uma grande quantidade de petróleo. E é preciso ter em mente que as pessoas alegam há anos que existe uma bolha no preço do petróleo.
Por isso, o meu desafio para as pessoas que dizem que há uma bolha de petróleo é este: diga-me onde acha que existe esse excedente de oferta de crude?

13 de Maio de 2008

(...)

Resto dossier

Dossier preço do petróleo

Afinal, até que ponto pesa a especulação no preço final do barril de petróleo? Mais de 60%, como dizem uns? Apenas um quarto, como dizem outros? Não há especulação, como dizem ainda outros? Atingimos ou não o "pico do petróleo", isto é, esgotámos mais de 50% das reservas mundiais? O que acontece, afinal, com a oferta e a procura de petróleo? Até que ponto o crescimento do consumo da China é o responsável pela actual situação? Este dossier do Esquerda.net apresenta perspectivas e respostas diversas a estas e outras questões.

Por que o preço do petróleo está alto?

Como explicar o preço do petróleo? Porque é tão alto? Está a esgotar-se? Os fornecimentos estão a ser interrompidos, ou o preço alto é reflexo da ganância das companhias petrolíferas ou da OPEP? Chávez e os sauditas estão a conspirar contra nós?

Por Paul Craig Roberts, Information Clearinghouse

Mercados opacos cada vez mais financiarizados

Os contratos de futuros1 sobre o ouro negro representarão 30 a 35 vezes o volume do comércio real de petróleo.
Nicolas Sarkozy, na entrevista de 24 de Abril à televisão, pôs em causa a "incrível" especulação que provoca a subida brutal dos preços das matérias primas.
Artigo de Adrien de Tricornot, publicado no jornal Le Monde

Stiglitz: A guerra do Iraque é um factor importante no aumento de preços

Para o prémio Nobel da economia, embora existam outros factores envolvidos no aumento de preço do petróleo, a guerra do Iraque é claramente um factor importante. Stiglitz lembra que antes da guerra, já considerando a crescente procura de energia da Índia e da China, os mercados de futuros projectavam que o preço do petróleo se manteria em torno de 23 dólares por barril. Foi a guerra - e a volatilidade que tem causado - juntamente com a queda do dólar devida às baixas taxas de juro e ao enorme défice comercial, a responsável por grande parte da diferença que se verifica.

Entrevista de Nathan Gardels, The Huffington Post

O preço do petróleo zomba da realidade dos combustíveis

Para este economista e jornalista americano, especialista na questão energética, nenhuma crise de oferta justifica o nível de preços praticados actualmente. Neste artigo, ele sustenta que pelo menos 60% do preço do petróleo vem da especulação dos mercados de futuros, orquestrada pelos fundos especulativos, pelos bancos e grupos financeiros. Engdahl considera ainda que a teoria do "pico do petróleo" - o argumento de que a produção do petróleo atingiu o ponto em que mais da metade das reservas foi utilizada - é um embuste que ajuda a especulação.
Por F. William Engdahl, AsiaTimesOnline

O poder mudou de campo

No início dos anos 1970, quando o barril de "ouro negro" valia menos de 2 dólares, ninguém iria imaginar que um presidente americano se encontraria um dia na situação de ser obrigado a implorar ao rei da Arábia Saudita por um aumento da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), com o objectivo de forçar uma redução dos preços. O Ocidente, no entanto, chegou a esse ponto.
Artigo de Jean-Michel Bezat, publicado no jornal Le Monde em 20 de Maio de 2008

Números do petróleo

Para o economista norte-americano, colunista do New York Times, a alta do preço do petróleo explica-se porque houve um crescimento do produto mundial bruto, que não foi acompanhado pela produção petrolífera, que estagnou. Publicamos em seguida a tradução de duas colunas publicadas no diário norte-americano.

Por Paul Krugman, do New York Times

OPEP: o mercado petrolífero está louco

O ministro argelino de Energia e actual presidente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Chakib Khelil, disse que "o mercado petrolífero está louco". Para este responsável, a OPEP nada pode fazer para baixar os preços do petróleo, já que a alta se deve a tensões geopolíticas, à desvalorização do dólar e à especulação, e não à falta de oferta.

Multimilionário diz que a especulação é a principal causa da alta do petróleo

O multimilionário George Soros - ele mesmo o maior investidor de fundos privados do mundo - afirma que a principal causa para o aumento dos preços do petróleo é precisamente a especulação. Em entrevista ao "Daily Telegraph", Soros defende que apesar da queda do dólar e do aumento da procura na China influenciarem os preços da matéria-prima, são os especuladores que mais fortemente afectam a subida de preços, que começam a "ter a forma de uma bolha".