Morte de Bin Laden

Depois de 10 anos de buscas infrutíferas, os EUA conseguiram localizar e matar o líder da Al-Qaeda. Apesar de estar desarmado e não ter tentado resistir, Bin Laden foi morto imediatamente. Segundo Noam Chomsky, “a operação foi um assassinato planeado, violando as normas elementares do direito internacional.”

25 de dezembro 2011 - 19:17
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No dia 2 de Maio, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou que forças especiais dos Estados Unidos tinham localizado no Paquistão e matado Osama Bin Laden, o líder da Al-Qaeda. "Justiça foi feita", disse.

Bin Laden estava no primeiro lugar da lista de inimigos mais procurados pelos Estados Unidos, que tentavam capturá-lo desde 2001.

A operação foi executada conjuntamente pela CIA e pelos Navy Seals do Grupo de Desenvolvimento Especial de Guerra Naval dos Estados Unidos.

Segundo o The New York Times, na missão estiveram envolvidos um total de 79 comandos e um cão.

A casa onde se escondia já há cinco anos o líder da Al-Qaeda está situada em Abbottabad, no Paquistão, e fica a 1,3 km da Academia Militar. Na região em torno do esconderijo há grande circulação e habitação de militares paquistaneses.

Obama disse que telefonou ao presidente Asif Ali Zardari, do Paquistão, depois da operação, que durou 40 minutos.

Na sua primeira entrevista após a operação, o chefe da CIA, Leon Panetta, disse que o Paquistão fora afastado das investigações por temor que o trabalho com os paquistaneses pudesse comprometer a operação. “Eles poderiam alertar os alvos", explicou.

Bin Laden não resistiu

As primeiras informações diziam que Bin Laden fora morto quando tentara resistir, e que teria usado uma das mulheres como escudo humano. Mas a Casa Branca acabou por reconhecer que ele estava desarmado e que uma das duas mulheres que estavam no quarto, igualmente desarmadas, foi atingida sim, mas por um dos militares americanos com um tiro da perna.

Apenas um dos cinco mortos na operação estava armado e disparou.

O corpo de Bin Laden foi levado de helicóptero para o porta-aviões USS Carl Vinson e sepultado no mar, alegadamente seguindo os preceitos islâmicos. A Casa Branca alegou que não seria possível enterrar de outra forma o líder da Al-Qaeda num prazo de 24 horas, como exigem as tradições islâmicas, e que não seria possível encontrar em tempo útil um país disposto a aceitar o corpo.

Foi “uma missão punitiva, uma vingança”

Horas depois, o Partido da Esquerda Europeia (PEE) tornou público um comunicado afirmando que a “execução imediata” de Bin Laden era motivo para “indignação”, apesar de tratar de “um símbolo do terrorismo e responsável pela morte de muitas pessoas inocentes”. O PEE afirmou que “na verdade as tropas americanas realizaram uma operação com o objetivo de matar e não de capturar o dirigente da Al-Qaeda”. Assim, tratou-se de “uma missão punitiva, uma vingança ou uma tentativa para evitar as dificuldades que poderiam resultar da captura e da garantia de um julgamento justo”. Mais uma vez, afirmou o PEE, “tal como já aconteceu com Saddam Hussein, os Estados Unidos mostraram o que entendem por ‘justiça’”.

Chomsky: não houve qualquer tentativa de prender a vítima desarmada

Poucos dias depois, o intelectual e ativista norte-americano Noam Chomsky afirmou que “a operação foi um assassinato planeado, violando as normas elementares do direito internacional de múltiplas formas”. Chomsky sublinhou que “aparentemente não houve qualquer tentativa de prender a vítima desarmada, o que presumivelmente 80 soldados poderiam ter feito, já que virtualmente não enfrentaram oposição – exceto, como afirmam, a da esposa de Osama bin Laden, que se atirou contra eles”.

Em sociedades que professam algum respeito pela lei, recordou Chomsky, os suspeitos são detidos e levados a um julgamento justo.

“Poderíamos perguntar-nos como reagiríamos se comandos iraquianos aterrassem na mansão de George W. Bush, o assassinassem e lançassem o seu corpo no Atlântico. Indiscutivelmente, os seus crimes excederam muito os de Bin Laden, e Bush não é um 'suspeito', mas, sem qualquer dúvida, o 'decisor' que deu as ordens para cometer o 'supremo crime internacional, que difere só de outros crimes de guerra por conter em si o mal acumulado da totalidade' (citando o Tribunal de Nuremberga), pelo qual foram enforcados os criminosos nazis: as centenas de milhares de mortes, os milhões de refugiados, a destruição de grande parte do Iraque, o encarniçado conflito sectário que agora se espalhou ao resto da região”.

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