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Assange luta contra a extradição para a Suécia e Wikileaks luta pela sobrevivência

Fundador da organização acumulou derrotas na Justiça britânica contra a sua extradição para a Suécia, para ser interrogado pela acusação de crimes de natureza sexual.Mas a Wikileaks, apesar das dificuldades, manteve-se viva.
WikiLeaks e Julian Assange criaram o potencial para uma nova ordem no jornalismo e para a livre circulação da informação.

Em 24 de Fevereiro, um tribunal britânico determinou que o fundador da WikiLeaks, Julian Assange, fosse extraditado para a Suécia para ser interrogado sobre a acusação de crimes de natureza sexual. Os advogados afirmaram que o seu cliente não terá a possibilidade de um julgamento justo na Suécia, onde se criou ambiente negativo que o apresenta como “o inimigo público número um”, e onde o julgamento decorrerá à porta fechada; e anunciaram a apresentação de recurso.

Em Maio, entretanto, o fundador da WikiLeaks foi distinguido com o prémio da Sydney Peace Foundation pela sua "excecional coragem na defesa dos direitos humanos” e ressaltou como é absurda a situação que vive, ao receber a distinção de paz tendo de usar um dispositivo de vigilância eletrónica no tornozelo.

O diretor da fundação australiana, Stuart Rees, salientou que a distinção de Assange é uma recompensa "por desafiar práticas seculares de segredo governamental e defender o direito à informação” das pessoas. “A WikiLeaks e Julian Assange criaram o potencial para uma nova ordem no jornalismo e para a livre circulação da informação”, disse Rees.

Em outubro, a Wikileaks anunciou a suspensão da publicação de documentos e uma campanha de fundos para enfrentar o bloqueio da finança norte-americana que domina as transferências de dinheiro online.

"Fomos forçados a temporariamente parar de publicar documentos enquanto garantimos a nossa sobrevivência financeira. Não podemos permitir que corporações financeiras americanas decidam como todo o mundo deve usar seu dinheiro para votar através de doações", disse uma nota da organização.

"A Censura, como tudo o resto no Ocidente, foi privatizada", diz a organização para explicar porque está hoje sob "um ataque inteiramente político". "Como resultado da exposição das embaixadas norte-americanas de todo o mundo, cinco das principais instituições financeiras, VISA, Mastercard, Paypal, Western Union e Bank of America, tentaram estrangular financeiramente a Wikileaks".

Kristinn Hrafnsson, porta-voz da organização, disse-se optimista: “Tenho a certeza de que nós e aqueles que nos apoiam vamos conseguir uma maneira de romper esse bloqueio económico para manter o nosso trabalho. Mas a WikiLeaks não vai morrer nunca, porque é mais do que uma ideia, é a representação de uma ideia que já gerou mudanças fundamentais: a ideia de que é possível encorajar as pessoas a agir de maneira a denunciar má-conduta, e assim dar o primeiro passo em direção à justiça.”

Em 2 de novembro, Assange sofreu um novo revés na Justiça britânica, ao ver negado o apelo contra a extradição num tribunal superior, restando-lhe um último apelo ao Tribunal Supremo.

Mas no dia 1 de dezembro, a Wikileaks voltou a divulgar documentos secretos, os "Spy Files", com informações acerca da lucrativa indústria da vigilância de comunicações eletrónicas. E concluiu que hoje em dia a espionagem faz-se em massa e não é submetida a qualquer controlo.

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