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VIH/SIDA: Portugal lidera em novas infecções

Há 33.4 milhões de infectados pelo VIH/Sida, diz o relatório da ONUA ONUSida divulgou o relatório anual sobre a evolução da doença. Apesar dos progressos registados nos últimos anos, Portugal continua a liderar a tabela dos novos casos de infecção na Europa ocidental. O deputado bloquista João Semedo responsabiliza por estes números aqueles que ao longo dos anos impediram a educação sexual nas escolas e as medidas de redução de danos na toxicodependência.

 

Semedo não ficou surpreendido com o facto de Portugal conservar o maior número de novos casos, admitindo que isso possa estar relacionado com a alteração recente do registo de notificações que as torna mais rigorosas.  "Mas o que mede o nosso atraso tem mais a ver com a falência da prevenção e da educação, e aqui têm muita responsabilidade aqueles que têm adiado e obstruído a Educação Sexual nas escolas e os que têm conseguido adiar medidas de redução de danos como as salas de injecção assistida, entre outras".

A nível global, o relatório assinala nos últimos oito anos uma descida de 17% nos novos casos, apesar da Europa Oriental ter visto aumentar as novas infecções devido à ausência de cuidados no consumo de drogas injectáveis.

Na região da América do Norte e Europa Central e Ocidental, os EUA e Portugal lideram a lista das novas infecções. Apesar disso, a situação tem vindo a melhorar progressivamente nos últimos anos. Portugal registou, em 2004, 1764 novos casos de sida, número que desceu para 1573 no ano seguinte, para 1510 em 2006 e 894 em 2007. Os utilizadores de drogas por via endovenosa representam 42,5 por cento de todas as notificações, enquanto a transmissão sexual (heterossexual) representa o segundo grupo com 40 por cento dos registos e a transmissão sexual (homossexual masculina) apresenta 12,3 por cento dos casos.

A ONUSida calcula que 33.4 milhões de pessoas sejam actualmente portadoras do VIH, e que no último ano tenham sido infectadas 2.7 milhões. O número de mortes associadas à SIDA em 2008 rondará os 2 milhões, segundo a agência das Nações Unidas.

Embora haja cada vez mais pessoas a viver com o vírus, a agência sublinha que a esperança de vida acompanha os efeitos benéficos dos tratamentos antiretrovirais e que as mortes diminuíram em 10% nos últimos cinco anos.

A ONUSida alerta também par o fact das campanhas de prevenção muitas vezes não acompanharem as mudanças na transmissão da doença. Por exemplo, o aumento das novas infecções na Europa de Leste e na Ásia Central já não se deve ao consumo de drogas injectáveis. Agora, são os parceiros sexuais destes toxicodependentes que contraem o vírus. Da mesma forma, em regiões da Ásia onde a transmissão por via da prostituição liderava as causas de novas infecções, agora vêem o vírus transmitir-se entre casais heterossexuais.
 

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