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Vacina experimental para a SIDA com resultados promissores

Havia 2 milhões de crianças infectadas com o vírus em 2007Uma vacina experimental para a SIDA reduziu pela primeira vez de forma significativa o risco de infecção, disseram hoje investigadores americanos e tailandeses em Bangkok, na Tailândia. “É a primeira vez no mundo que se encontra uma vacina que pode prevenir a infecção do HIV”, disse o ministro da Saúde tailandês. A sua aplicação pode ser limitada e uma vacina comercial vai demorar algum tempo, mas abre-se uma promissora via de investigação.

A vacina – que junta duas vacinas antes experimentadas – foi administrada a 16 mil pessoas naquele país: todos voluntários seronegativos com idades entre os 18 e os 30 anos e uma exposição ao risco de contaminação considerada semelhante à média das pessoas.

Foi o maior teste do género alguma vez realizado para prevenir a contaminação pelo vírus que provoca a SIDA, o HIV. Investigadores descobriram que a vacina reduziu em cerca de um terço o risco de contracção do vírus.

O teste foi conduzido pelo ministério da Saúde da Tailândia e o exército norte-americano, e financiado pelos Estados Unidos.

Já numa reacção esta manhã em Paris, o laboratório Sanofi-Pasteur, divisão de vacinas do grupo Sanofi-Aventis, considerou que os testes da vacina representavam uma “primeira demonstração” de que uma vacina contra a SIDA podia “tornar-se realidade”. “Apesar de modesta, a redução do risco de infecção pelo HIV é estatisticamente significativa”, comentou à AFP Michel DeWilde, vice-presidente para a investigação e desenvolvimento no Sanofi-Pasteur.

Duas agências das Nações Unidas, a Organização Mundial de Saúde e a ONUSIDA, disseram que este desenvolvimento dá “nova esperança” no combate à doença, notando também que é preciso mais trabalho.

“Não antecipamos que uma vacina comercial seja disponibilizada durante algum tempo, mas foram finalmente elevadas as possibilidades de uma vacina eficaz” depois de 30 anos, disse à Reuters um investigador ligado à multinacional ABN AMRO.

Segundo a ONU SIDA, à volta de 33 milhões de pessoas têm o vírus HIV. Em 2007, houve 2, 7 milhões de contágios e dois milhões de mortes por causa da SIDA

O ritmo de transmissão do HIV caiu em alguns países, mas globalmente mantém-se igual.

Dois terços das pessoas infectadas com o vírus vivem na África subsaariana.

Metade dos infectados são mulheres.

Entre 330 mil e 410 mil menores de 15 anos foram infectados em 2007. O total de crianças com HIV aumentou de 1,6 milhões em 2001 para 2 milhões em 2007. 90% destas crianças vive em África.

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