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Sindicato denuncia trabalho infantil em Braga

Sindicato denuncia trabalho infantil em BragaForam detectados 9 casos de trabalho infantil nos últimos seis meses, segundo a União de Sindicatos de Braga, que os comunicou às comissões de protecção de menores e à ACT, embora esta diga não ter conhecimento de nada.

O dirigente do sindicato, Adão Mendes, adiantou à Lusa que seis casos foram encontrados nos finais de 2009 e dois em Fevereiro último. “Isto não quer dizer que não tenhamos sinalizado mais”, sublinhou.

Esta denúncia contraria as declarações de Luís Castro, responsável pela Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) do Norte, que, recentemente, afirmou não conhecer nenhum caso de trabalho infantil nos últimos meses.

Adão Mendes informa que os menores encontrados a trabalhar em pequenas indústrias de confecção do distrito de Braga têm entre 12 e 14 anos, período em que “hesitam em continuar na escola ou começar a trabalhar”.

“Aprendemos nos anos 80 e 90 do século passado que, para salvaguardar a criança e a família, e fazer com que tenha o dia seguinte assegurado, deveríamos, antes do mais comunicar as situações às comissões de protecção de menores e só depois à Autoridade para as Condições de Trabalho”, sublinha o sindicalista.

Para Adão Mendes importa, antes de mais, “garantir que proteger a criança e a sua personalidade, salvaguardando a sua identidade e levando-a a regressar à escola”. “Nos anos 80 quando anunciávamos a existência de trabalho infantil, no dia seguinte as empresas sabiam que a Inspecção de Trabalho ia lá, e quem ficava prejudicada era a criança cuja vida continuava na mesma”, assinalou.

Questionado sobre o facto de a ACT de Braga dizer que desconhece a existência de casos de trabalho infantil, Adão Mendes garante que os nove casos constam dos relatórios do organismo estatal, tendo sido objecto de queixa-crime, desafiando a que sejam “tornados públicos”.

Explicou também que a União quando detecta um caso recolhe imagens, em fotografia e vídeo, que só divulga se tal for necessário, ou seja, se as autoridades não agirem.

A Lusa informa que contactou Luís Castro da ACT do Norte mas que este se escusou a comentar o caso, dizendo que só o fará, eventualmente, após conhecer as declarações de Adão Mendes.

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