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Seguros de saúde recusam-se a cobrir despesas com gripe A

Máscara para proteger da gripe A. Foto de Esparta, FlickRA Associação Portuguesa de Seguradores afirmou esta terça-feira que seria "altamente irresponsável" os seguros de saúde cobrirem despesas relativas à gripe A dos seus segurados, argumentando que as seguradoras poderiam ir à falência se o fizessem. Assim, quem tiver seguro de saúde e ficar doente com gripe A só terá a alternativa de recorrer ao SNS. O negócio dos Seguros de Saúde cresceu 2,8% no primeiro semestre deste ano, abrangendo mais de 2 milhões de pessoas.

Para a Associação Portuguesa de Seguradores, "não havendo modelos fiáveis de avaliação do risco, os custos com sinistros [de uma pandemia] poderiam rapidamente conduzir uma seguradora à falência, afectando todos os segurados e beneficiários clientes da seguradora mesmo de outros ramos de seguro", diz um comunicado da entidade.

 A APS afirma que a não cobertura se deve ao facto de a gripe A assumir um carácter pandémico, e não ao facto de se tratar de uma doença infecto-contagiosa. E mais afirma que é normal os seguros não cobrirem pandemias: "é uma exclusão típica dos contratos de seguro de saúde, com carácter suplementar ou complementar, celebrados em qualquer parte do mundo".

Na semana passada, a ministra da Saúde, Ana Jorge, estranhara, em declarações à agência Lusa, que os seguros de saúde não cubram a gripe A, já que "é uma doença infecciosa produzida por um vírus, tal como a gripe sazonal ou as amigdalites e pneumonias".

Mas a preocupação, para as seguradoras, é a questão do preço: "Torna-se, impossível de quantificar o risco e estabelecer um preço correcto e transparente para cada cidadão", sublinha o comunicado. Como não podem calcular preços, os segurados ficam sem a cobertura.

O mercado dos seguros de saúde português cresceu 2,8% no primeiro semestre deste ano, representando um volume de negócios de 284 milhões de euros e abrangendo mais de 2 milhões de pessoas, de acordo com a própria Associação Portuguesa de Seguradoras.

No final do ano passado, a Associação Portuguesa de Seguradores já estivera envolvida numa polémica com a Ordem dos Médicos Dentistas, que acusara os profissionais das seguradoras de utilizarem materiais de qualidade duvidosa ou de não cumprirem as regras elementares de protecção da saúde dos seus clientes.

Recentemente, a APS defendeu também um aumento das deduções fiscais para os seguros de saúde e estímulos às empresas com contratos de seguros e contribuições para fundos de pensões ou regimes complementares de segurança social.

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