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Professor sem voz obrigado a dar aulas

professoresArtur Silva, professor de Filosofia com mais de 30 anos de serviço, foi obrigado a dar aulas depois de ter feito uma operação devido a um cancro na traqueia e de em consequência ter ficado sem voz. O professor acabaria por falecer em Janeiro deste ano, depois de esperar três anos por uma aposentação que nunca chegou, tendo várias juntas médicas negado essa pretensão e considerado o docente apto para o serviço. Em comunicado a DREN diz que "os seus serviços deram ao docente as condições humanas apropriadas à sua condição de saúde", informação negada pelos professores e alunos da escola que convocam para a próxima segunda-feira uma vigília em memória do professor e contra a "implacável cegueira da máquina administrativa". Este caso vem juntar-se ao da professora com leucemia que acabou por falecer sem que lhe tivesse sido concedida a aposentação.
Veja o comunicado da DREN
Veja o artigo redigido pelo colega e professor Miguel Soares

Desde Janeiro de 2003, já depois de ter sido operado à traqueia e de ter ficado sem voz, o professor Artur Silva deslocava-se de três em três meses à Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) para comparecer às Juntas Médicas. Depois de 12 deslocações à DREN, em Agosto de 2005 foi-lhe finalmente reconhecida uma incapacidade de 80%.

Mas o calvário não terminou aqui. O professor viu negado o pedido de aposentação pela Caixa Gelar de Aposentações, depois de lhe ter sido exigido um parecer do IPO do Porto e de uma nova Junta Médica que não o convocou o ter considerado apto para o serviço. O professor recorreu escrevendo uma carta ao Director-Geral da CGA, mas a 9 de Novembro de 2006, já depois de ter sido obrigado a apresentar-se ao serviço na escola, foi novamente indeferido o seu pedido. Artur Silva acabaria por falecer em Janeiro de 2007.

A indignação estende-se à Escola Secundária Alberto Sampaio que, através da assembleia de escola, convoca uma vigília para segunda-feira, à porta do liceu de Braga, às 19h, para «simbolicamente» marcar o seu desagrado pelo processo pelo qual passou Artur Silva. Para Miguel Soares, docente na escola secundária Alberto Sampaio o professor foi vítima da «implacável cegueira da máquina administrativa» e da «burocracia». «É uma pouca vergonha o que lhe fizeram. Era um cidadão exemplar, e tem mais de 30 anos de carreira para o provar. Negarem-lhe a reforma foi mais um passo para o caixão», disse ao PortugalDiário.

A DREN diz que “não foi distribuído serviço lectivo” ao professor, informação que é negada pelos professores da Escola onde leccionava. A Caixa-Geral de Aposentações ainda não reagiu a esta notícia.

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