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"O actual sistema não pode continuar", diz Wallerstein

Immanuel WallersteinCientista social afirma que o sistema-mundo está diante de uma encruzilhada que pode evoluir em direcções contraditórias. Ouça a aula magistral pronunciada em Lisboa esta quarta (em inglês).

Numa aula magistral para cerca de cem pessoas que acorreram à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o sociólogo e cientista social Immanuel Wallerstein afirmou, referindo-se à "crise estrutural do sistema capitalista", que "o actual sistema não pode continuar - isso é certo. Mas há duas saídas alternativas. E desencadeia-se uma luta entre as duas alternativas para ver qual prevalece."

Para Wallerstein, uma alternativa "é um sistema que reproduz mais ou menos as piores características do sistema existente, explorador, polarizador. Não é capitalismo, é outra coisa", mas pode ser em muitas formas "muito pior que o capitalismo, muito mais opressivo".

A outra alternativa é "um sistema que nunca existiu até hoje, mas pode existir, hipoteticamente, que é um sistema relativamente democrático e relativamente igualitário". O sociólogo norte-americano considera que estamos e estaremos no meio deste dilema nos próximos 30 ou 40 anos. "Qual vai ser o resultado é impossível prever."

Durante a conferência, Wallerstein abordou a crise do sistema-mundo - o tema escolhido - de vários pontos de vista. Do ponto de vista económico, como uma fase B de uma onda de Kondratieff, Wallerstein contextualizou-a na história desde o fim da Segunda Guerra, quando os EUA surgiram como a potência hegemónica. Abordou o período de expansão económica até aos anos 70, substituído por um período de estagnação.

Falou também dos ciclos de hegemonia, que tiveram como potências dominantes as Províncias Unidas (Holanda), o Reino Unido e os EUA, para abordar um dos seus temas recorrentes: a decadência do império americano, e as sucessivas tentativas de minimizar essa decadência, que tiveram um sucesso relativo até o grande desastre que foi a administração de George W. Bush e o fiasco da guerra do Iraque.

Abordou também a revolução mundial de 1968, as suas causas e efeitos, e o período em que dominou o mundo o "espírito de Ialta", entre EUA e a União Soviética.

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