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Morales nacionaliza telecomunicações

morales1O presidente da Bolívia emitiu um decreto que prevê um plano de negociação para nacionalizar a Entel, a maior companhia telefónica do país, da qual a Telecom Italia é a principal accionista e administradora. A negociação deverá durar no máximo 30 dias e deve «definir as condições para recuperar a empresa a favor do Estado". Morales acusa a empresa de descapitalização progressiva e de ter «levado para fora da Bolívia mais de 600 milhões de dólares».


O governo de Evo Morales quer recuperar as acções da Empresa Nacional Telefónica (Entel). Para isso, emitiu um decreto que cria uma comissão ministerial que tem 30 dias para recuperar 51% das acções da empresa que se encontram nas mãos da multinacional italiana. Em princípio, o Governo não parece disposto a pagar os 320 milhões de dólares de capital actualizado da Entel, que é líder no país em serviços de longa distância, rede móvel e Internet e que já tinha sido obrigada por Morales a iniciar um processo de expansão para prestar serviços em mais quinhentas localidades.

Ao desejo de Morales soma-se a intenção da própria Telecom Itália de abandonar o mercado boliviano e as contínuas denúncias de descapitalização da empresa em mais de 600 milhões de dólares. Perante isto, Morales confia numa negociação rápida, barata e eficiente.  

A multinacional italiana ficou com 51% das acções da Entel durante o chamado "processo de capitalização" impulsionado pelo primeiro governo de Sanchez de Losada (1993-1997). Nessa altura, a Bolívia entregou as suas empresas estratégicas (telefones, ferrovias, electricidade, aviação e hidrocarbonetos) a multinacionais em troca de promessas de investimentos. Os empresários ficaram com 51% das acções, entregando o resto a associações de fundos de pensões. No entanto, amis tarde, veio-se a revelar que as multinacionais não cumpriram com os investimentos prometidos, levando Morales a apresentar um relatório no congresso prevendo a nacionalização em 2007 das companhias mistas em que houve corrupção ou descumprimento de investimentos prometidos

Depois da nacionalização dos hidrocarbonetos e agora da companhia telefónica nacional, Morales prepara-se também para refundar a empresa nacional de electricidade e também para recuperar a empresa nacional de ferrovias, estando no entanto com mais dificuldades no avanço para a ncaionalização da Companhia de Aviação.

O objectivo de Morales é claro e foi traçado pelo Vice-Presidente Álvaro Garcia Linera: Actualmente o Estado controla 18 por cento da economia. O objectivo é que até 2010 controle entre 30 a 40 % de todo o Produto Bruto Interno da Bolívia.

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