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Gripe A: MS comprou vacinas apenas à Glaxo SmithKline

O Bloco questionou o Governo sobre a adjudicação do fornecimento de vacinas da Gripe A a uma única empresa farmacêutica, a Glaxo SmithKline.O deputado do Bloco João Semedo já questionou o Governo sobre a forma como geriu a aquisição do stock nacional de vacinas contra a gripe A e sobre a adjudicação do fornecimento de vacinas a uma única empresa farmacêutica.

O Bloco de Esquerda questionou o Ministério da Saúde esta terça-feira, sobre a forma como o Governo geriu a aquisição do stock nacional de vacinas contra a gripe A, pedindo também explicações sobre a adjudicação do fornecimento de vacinas a uma única empresa farmacêutica.

Em comunicado, o Bloco refere que o deputado João Semedo pretende que o Ministério da Saúde esclareça "os motivos que levaram o Governo - quando existiam mais alternativas no mercado - a adjudicar o fornecimento de vacinas a uma única multinacional farmacêutica, a Glaxo SmithKline, ao contrário do que foi feito noutros países".

O Bloco adianta que, entre os várias esclarecimentos solicitados à ministra da Saúde, Ana Jorge, o deputado pretende saber se o contrato assinado pelo Estado português, como acontece também em diversos outros países europeus, tem alguma cláusula que permita a anulação ou redução da encomenda feita.

João Semedo dá nota de que este pedido de esclarecimentos ocorre numa altura em que "a actividade gripal já diminuiu e quando é pública a desproporção da quantidade de vacinas encomendada" pelo Estado português.

A iniciativa, transmitida ao presidente da Assembleia da República, alude às "notícias mais recentes sobre os interesses financeiros e a ligação de diversos peritos da Organização Mundial de Saúde (OMS) às empresas farmacêuticas Glaxo SmithKline, Abbot, Novartis e Roche (produtoras das três vacinas contra a gripe A e do único anti-vírico disponível - Tamiflu®)".

Tudo isto, aliado ao facto de "a gravidade e os níveis de contágio terem ficado significativamente aquém dos anunciados", veio - segundo o Bloco - colocar em causa, de "forma particularmente gravosa, a credibilidade e a forma de actuação dos organismos internacionais e nacionais responsáveis pelo combate à potencial pandemia pelo vírus da gripe A (H1N1)".

O Bloco lembra também que os factos assinalados levaram a Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa a aprovar uma resolução para a realização de um inquérito sobre a influência exercida pelas empresas farmacêuticas na definição da estratégia global de luta contra a gripe A (a ser iniciado ainda em Janeiro de 2010).

Segundo o Bloco, em Portugal constavam no orçamento rectificativo 45 milhões de euros para a aquisição da vacina contra a gripe A, aos quais se juntam 22,5 milhões de euros gastos desde 2007 na aquisição do medicamento Tamiflu®.

Relativamente à vacina contra a gripe A, o Ministério da Saúde encomendou 6 milhões de doses para vacinar 30 por cento da população portuguesa (cada pessoa necessitaria de 2 doses de 2,5 ml cada).

Posteriormente veio a saber-se que cada adulto apenas necessitava de uma dose de vacina (2,5 ml) e as crianças de duas doses de 1,25 ml cada (ou seja, o correspondente a uma dose de um adulto), o que significa que a encomenda daria para seis milhões de pessoas.

"A desproporção da quantidade de vacinas encomendada é avassaladora, face à procura real pela população portuguesa abrangida pela vacinação (grupos-alvo)", sublinha o deputado João Semedo.

Entretanto a Ministra da Saúde, Ana Jorge, disse esta terça-feira, em Bruxelas, que a gripe A não foi uma falsa pandemia e defendeu todas as medidas tomadas contra a doença em Portugal, nomeadamente a vacinação, reiterando também a "grande confiança" que tem na OMS.

As declarações da ministra surgem na sequência das declarações do presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, que afirmou que a gripe A foi uma falsa pandemia, "um dos maiores escândalos médicos do século" e que "custou muito dinheiro". O responsável acusou ainda a OMS de ter relações impróprias com as farmacêuticas.

Também esta terça-feira, no Conselho da Europa, em Estrasburgo, o responsável pela gestão da pandemia de gripe A na OMS, Keiji Fukuda, negou ter sido influenciado pelos fabricantes de vacinas para declarar o estado de pandemia da gripe A.

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