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Desafios para a Gestão do Serviço Nacional de Saúde

Os contratos programa devem ser divulgados por todos os profissionais da unidade de saúde para que se sintam envolvidos, para que saibam quais as metas a atingir, quais as estratégias a adoptar e que variáveis- métricas devem ser elencadas para avaliar a qualidade de cuidados prestados. Artigo de Gisela Almeida.

 

No setor da saúde, a satisfação das necessidades emergentes dos cidadãos e da comunidade em geral, exige o planeamento de atividades de saúde pública geradoras de valor, mas que utilizem de forma racional os recursos existentes, recorrendo a novas práticas no funcionamento das organizações, nos processos e nos serviços prestados.

A preocupação com os métodos de gestão acompanhou a criação e crescimento do SNS. De uma forma ou de outra, aquilo que outros países com sistemas de saúde semelhantes ao nosso adoptaram, acabou por ser implementado em Portugal. Destaco que uma das medidas inseridas no âmbito desta modernização constante é a contratualização hospitalar, tratando-se de um novo modelo de financiamento das instituições do SNS, através do qual a sua produção e respetivos custos associados são acordados entre os hospitais, centros hospitalares e o Ministério da Saúde através da Administração Central dos Serviços de Saúde (ACSS).

De notar que reformas da gestão da saúde desde o momento de criação do SNS, assumem como foco principal maximizar a eficiência e a produtividade dos hospitais, por outro lado, visam promover a sustentabilidade do setor, uma vez que este apresentará sempre custos elevados e dificuldade em controlar os mesmos face à imprevisibilidade das necessidades em cuidados de saúde, e o preço da incorporação da inovação tecnológica e do medicamento. De referir que os contrato programa assumem uma grande importância no processo de contratualização com as unidades de saúde, contudo, considero que os mesmos carecem de ser divulgados por todos os profissionais da unidade de saúde para que se sintam envolvidos, para que saibam quais as metas a atingir, quais as estratégias a adoptar e que variáveis- métricas devem ser elencadas para avaliar a qualidade de cuidados prestados. Estes são para mim pontos fundamentais para uma liderança em saúde que envolva os profissionais de saúde na tomada de decisão, na criação de inovação e geradora de ganhos em saúde.

Por outro lado, não se consegue simplesmente falar de eficiência e produtividade do setor da saúde, sem que se consiga abordar a variável humana da prestação de cuidados de saúde, ou seja, sem que se analisem as condições laborais e motivacionais dos profissionais de saúde na equipa multidisciplinar. Como bem sabemos na última década temos assistido um desinvestimento no capital humano do SNS, sendo que a não valorização da carreira e das competências diferenciadas dos seus profissionais tem contribuído para a fuga de muitos profissionais do SNS, que legitimamente buscam melhores condições laborais e satisfação profissional. Assistimos a concursos de especialidade para enfermeiros que abrem sem sequer se estudar quais as necessidades para as unidades em numerus clausus de cada especialidade, sendo que são medidas paliativas e não de intervenção para alavancar uma mudança em que todo o SNS fica a ganhar.

Por fim, muito temos falado da importância da saúde mental dos profissionais de saúde, contudo na atualidade são escassos os programas de saúde mental nos serviços de saúde de apoio aos seus profissionais. Necessitamos de políticas de saúde ajustadas às necessidades da estrutura e do processo para que se consiga o melhor resultado para todos: respeito pelas condições laborais dos profissionais de saúde, equidade no acesso a cuidados de saúde, justiça social no acesso à saúde e coesão social. Esta é uma equação complexa mas não impossível de operar no terreno do SNS, assim haja coragem de fazer diferente, melhor e de uma forma disruptiva: envolver e valorizar as pessoas!

Na resposta fundamentada às dúvidas e à complexidade dos problemas tem de surgir a clareza: a clareza do caminho que queremos seguir no SNS; a clareza de como operar a mudança no SNS e a clareza de que sem valorização das Pessoas não existe SNS e… não existe Democracia.

 

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Esquerda Saúde 3

Já saiu a revista Esquerda Saúde nº 3

17 de Novembro 2023

A edição de novembro de 2022 já está disponível online. Em destaque, a crise do SNS e a falta de respostas do Governo. Leia aqui a revista em formato pdf.

Editorial: Verão quente na Saúde

17 de Novembro 2022

Mudarão as políticas de saúde em Portugal? Não tenhamos grandes ilusões, mais do que mudanças de personalidades, o que conta são as opções políticas. E essas, infelizmente, continuarão idênticas. Editorial de Mário André Macedo.

Negociações sindicais no congelador, enfermagem fora do Orçamento

17 de Novembro 2022

O OE 23 pretende remunerar as primeiras 150 horas extras ao valor atual, apenas majorando após atingir esta marca. Ou seja, os enfermeiros terão de trabalhar 1 mês extra, antes de serem devidamente pagos pelo valor do seu trabalho. Artigo de Luís Mós.

 

A crise do SNS não é um fenómeno estival

17 de Novembro 2022

Foi badalado até à exaustão o fecho de maternidades, as transferências de grávidas, as mortes de mães e de bebés, que produziram suculentas manchetes. Poucas vezes se foi ao fundo da questão e se expôs a verdadeira razão e dimensão dos problemas. Artigo de Tânia Russo.

A minha história de enfermeira na Bélgica

17 de Novembro 2022

Ser independente, ter condições de trabalho vantajosas e possibilidade de progressão na carreira; estas foram as razões pelas quais emigrei para a Bélgica. Após nove anos, ainda cá estou, satisfeita. Esta é a minha história. Artigo de Maria Ribeiro.

Os TSDT e a eterna injustiça na saúde

17 de Novembro 2022

O nosso trabalho vale pouco para quem manda. Quem se senta durante o dia em frente ao Excel, não percebe o valor de trabalhar noite dentro a semear hemoculturas, efetuar uma TAC a um doente com AVC ou realizar um ECG numa sala de reanimação. Artigo de Eloísa Gonçalves Macedo

 

O SNS e os TSDT: o que aconteceu?

17 de Novembro 2022

O valor das profissões que a carreira de Técnico Superior de Diagnóstico e Terapêutica abrange é incalculável para a qualidade de vida dos utentes do Serviço Nacional de Saúde. Artigo de Nuno Malafaia.

Ensino médico: da academia à enfermaria

17 de Novembro 2022

Embora nos encontremos num período de inovação e experimentação alargada no ensino médico, onde a voz estudantil parece contar um pouco mais do que há alguns anos, os métodos de avaliação continuam a insistir de modo arcaico no exame de escolha múltipla ou no conjunto de frequências compostas por questões da mesma tipologia. Artigo de Pedro Vilão Silva.

 

Valorização da enfermagem é mais eficiência no SNS

17 de Novembro 2022

A situação global dos Enfermeiros/as é o espelho que reflete o estado da Saúde no nosso país: desinvestida, desmembrada e desmotivada. Artigo de Fernanda Lopes.

 

Desafios para a Gestão do Serviço Nacional de Saúde

17 de Novembro 2022

Os contratos programa devem ser divulgados por todos os profissionais da unidade de saúde para que se sintam envolvidos, para que saibam quais as metas a atingir, quais as estratégias a adoptar e que variáveis- métricas devem ser elencadas para avaliar a qualidade de cuidados prestados. Artigo de Gisela Almeida.

 

Saúde nos Açores, para além do limite

17 de Novembro 2022

Só em maio deste ano, a afluência ao Hospital de Ponta Delgada bateu recordes, com 1.300 pessoas a recorrerem àquela valência em três dias. Artigo de Jessica Pacheco.

O que se passa com os serviços de urgência

4 de Setembro 2022

Não há praticamente nenhum programa de governo para a saúde que não reconheça que há um problema nas urgências. No entanto, aqui estamos, com problemas semelhantes nos serviços de urgência ao longo dos últimos 40 anos. Artigo de Mário André Macedo.