Está aqui

Big Brother está vivo na casa de George Orwell

orwellVinte e três anos depois da data prevista pelo escritor britânico George Orwell, o mundo do Big Brother, o grande irmão que tudo vê, está vivo em Londres. E vigia... a própria casa de George Orwell. Um levantamento do Evening Standard mostra que nada menos que 32 câmaras de vídeo espiam a casa onde Orwell viveu e todas as suas redondezas, gravando o que vêem 24 horas por dia. O ano é 2007 e não 1984, mas o Big Brother parece quase tão real quanto o imaginado pelo escritor.

Não é que o regime político britânico tenha evoluído para a ditadura fascista/stalinista que dominava, omnipresente, o pesadelo descrito por Orwell no famoso livro "1984". Mas a obsessão da videovigilância tomou conta da capital britânica e do país. Existam hoje instaladas nada menos de 4,2 milhões de câmaras CCTV (isto é, de circuito fechado) por todo o país, uma para cada 14 pessoas. Calcula-se que cada habitante seja apanhado pela objectiva de uma câmara, em média, 300 vezes por dia.

No quarteirão onde Orwell viveu, a presença das câmaras é impressionante. Orwell escreveu "1984" num apartamento de 4º andar na praça Canonbury, em Islington, Norte de Londres. Lá está, no número 27B, uma placa evocativa do escritor. Numa área de 180 metros em volta do prédio, há 32 câmaras instaladas.

O jardim na frente é vigiado por duas câmaras instaladas em semáforos. As janelas das traseiras do prédio são constantemente vistas por duas câmaras de segurança instaladas no exterior de um centro de conferências. Numa rua que sai da praça, está uma câmara, nas traseiras de um revendedor de automóveis, virada para a entrada do pub favorito de Orwell, o Compton Arms. Outras 28 câmaras estão instaladas em edifícios, escritórios, lojas em redor. Por exemplo, na mercearia Shriji há três câmaras; na lavandaria outras duas.

O Evening Standard informa que um relatório da Academia Real de Engenharia adverte que estas tácticas de "Big Brother" podem acabar até por pôr vidas em perigo. O relatório lembra que qualquer sistema de segurança é vulnerável, e que é sempre possível subornar a equipa técnica que o opera ou que hackers informáticos podem ganhar acesso às câmaras. Um dos autores do relatório, o professor Nigel Gilbert, considera que a quantidade de câmaras já é tão grande que deveria-se impedir a instalação de novos equipamentos até que a sua necessidade fosse provada.

Termos relacionados Internacional