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BES insulta Louçã, Bloco “compreende nervosismo”

Ricado Salgado, presidente do BES, apelou a uma manistia para os bancos que recorrem aos offshoresEm comunicado, o Banco Espírito Santo chama três vezes "mentiroso"a Francisco Louçã e atribui-lhe "obsessões patológicas". Isto porque o deputado do Bloco criticou o Presidente do Banco por este pedir uma amnistia para quem recorre aos offshores e por ter ocultado ilegalmente contas do ex-ditador Pinochet. O Bloco já reagiu, dizendo compreender o nervosismo de Ricardo Salgado.  

Na apresentação dos vários projectos para combater a corrupção e os abusos do grande poder económico, Francisco Louçã referiu-se às recentes declarações do Presidente do Banco Espírito Santo. "Numa entrevista a um jornal, Ricardo Salgado apela ao Parlamento: os bancos aceitam acabar com os ‘offshores' se lhes prometerem uma amnistia. Fica tudo dito, só pede amnistia quem cometeu ou protegeu crimes", denunciou Louçã.

O deputado do Bloco acusou ainda o BES de ter "escondida parte da fortuna de Augusto Pinochet, segundo a Justiça chilena que não consegue reaver o dinheiro".

E rematou: "Os ‘offshores', as contas secretas, protegeram o crime e não, não pode haver nenhuma amnistia para os crimes económicos. Respondo por isso a Ricardo Salgado: todos têm de ser responsabilizados pelos seus crimes, não há amnistias para os ‘offshores'"

Estas declarações suscitaram a reacção do Banco que, em comunicado emitido ao final da tarde desta quinta-feira, afirma que "o doutor Louçã tem uma estranha e patológica obsessão pelo BES (...) e que mente de forma propositada quando diz que o BES oculta parte da fortuna de Pinochet" e desmente que tenha pedido qualquer amnistia para quem aplicou os seus fundos nos offshores, tendo feito apenas um apelo a uma "coordenação global".

Na resposta, o Bloco de Esquerda lembra que "o processo aberto pelo governo chileno foi noticiado pela imprensa económica de referência internacional (aqui e aqui) e essas notícias nunca foram desmentidas pelo banco". E frisa também que "não há nenhuma amnistia - seja ela global ou não - que possa entrar em vigor em território nacional sem a prévia aprovação da Assembleia da República".

"No momento em que, a nível internacional, se aperta o cerco aos offshores e os despudorados prémios dos gestores bancários, o Bloco de Esquerda compreende bem o nervosismo de Ricardo Salgado. Tem muito menos a ver com as declarações do deputado, mas antes com os diplomas do Bloco hoje aprovados pelo Parlamento" conclui o comunicado do Bloco de Esquerda.

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