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Assassinados três jornalistas

ANNA POLITKOVSKAIA PREPARAVA ARTIGO SOBRE TORTURA NA TCHECHÉNIA
politkovskayaAnna Politkovskaia foi assassinada a tiro em Moscovo, era jornalista da "Novaïa Gazeta" e uma das poucas vozes que denunciava os crimes cometidos pelas tropas russas. Segundo o editor da "Novaïa Gazeta" preparava um novo artigo sobre a tortura na Tchéchénia. Karen Fischer e Christian Struwe foram assassinados no norte do Afeganistão, na província de Baghlan, trabalhavam como freelancers para a rede alemã Deutsche Welle.

Anna Politkovskaia foi morta aos 47 anos, no dia em que Putin comemorou 54. Já tinha ido à Tchechénia mais de 40 vezes, desde 1999. Nas suas reportagens, e posteriormente nos diversos livros que escreveu, descreveu o calvário da população tchechéna e as barbaridades cometidas pelos russos, não só pelos militares, mas também pelo pessoal de saúde nos hospitais de campanha. Esteve numerosas vezes nas zonas de combate na Tchechénia e nos campos de refugiados do Daguestão e da Inguchia.

Em 2002, com risco de vida, aceitou servir de negociadora quando um comando tchechéno ocupou e fez reféns num teatro em Moscovo, o assalto acabaria de forma dramática. Em 2004 sofreu uma tentativa de envenenamento quando se deslocava para Beslam, na altura da tragédia das crianças.

Foi premiada na Rússia e internacionalmente e via esse reconhecimento internacional como a melhor protecção que tinha para a sua vida, sempre ameaçada. Escreveu diversos livros: Dolorosa Rússia; Tchetchénia a desonra russa; Viagem ao inferno, jornal da Tchechénia; Tchechénia, crimes e caos. Não poupava o actual regime russo, nem o próprio presidente Putin, tendo o seu último livro o título: A Rússia de Putin.

Em "Tchechénia, a desonra russa" escreveu:

"Após um breve interlúdio eltsiniano, a Rússia, amputada das «repúblicas irmãs» da URSS, sentiu que não era capaz de viver confortavelmente sem tradições nem ambições imperiais. Teve necessidade de um «pequeno» e de um «mau» para poder sentir-se grande e importante. A alegria orgásmica de ser uma potência alimenta-se do esmagamento, da humilhação do outro, que se pode pisar com total impunidade. O princípio é simples: aqui, é a zona de residência para os «maus» que é preciso reeducar; lá, comparado com este inferno, o resto do território russo onde vivem os «bons» parece um paraíso".

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