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“Agência de rating europeia é uma questão em aberto”

O Presidente do BCE afirmou que a possibilidade de uma agência de rating europeia “devia ser analisada a nível global”, na conferência de imprensa que seguiu a reunião dos governadores, esta quinta-feira, no CCB em Lisboa. Foto Miguel A. Lopes/LusaO Presidente do BCE afirmou que a possibilidade de uma agência de rating europeia “devia ser analisada a nível global”, na conferência de imprensa que seguiu a reunião dos governadores, esta quinta-feira, no CCB em Lisboa.

Jean Claude Trichet, que liderou a conferência de imprensa que se seguiu à reunião do conselho de governadores Banco Central Europeu (BCE) no Centro Cultural de Belém, foi por várias vezes questionado sobre a actuação das agências de rating e a possibilidade de vir a ser criado um avaliador a nível europeu, ou mesmo de este ser o BCE.

A estas questões, o Presidente do BCE explicou que não queria pronunciar, mas que garantiu que esta “é uma questão em aberto”. “Devia ser uma coisa analisada a nível mais global”, disse o responsável, não deixando de considerar que “quanto mais competição melhor”.

Na conferência de imprensa também foi anunciado que o BCE decidiu manter a principal taxa de juro inalterada no seu mínimo histórico em 1 por cento, pelo décimo terceiro mês consecutivo.

O conselho, que se reuniu em Lisboa, numa das duas reuniões anualmente realizadas fora da sede do BCE (em Frankfurt), decidiu ainda manter as restantes taxas de juro, nos 1,75 por cento e 0,25 por cento.

“Portugal não é a Grécia”, mas só conseguirá sair do radar dos mercados e dos especuladores se acatar as “recomendações” do BCE em matéria de redução do défice, avisou também Jean-Claude Trichet, na conferência de imprensa.

Trichet aproveitou ainda para deixar um aviso: “se o BCE diz que a Grécia não está em risco de incumprimento e que vários países já estão a fazer o que é preciso para sanear as contas públicas, então essa é a verdade”. E desvalorizou as sentenças das agências, que tanto têm penalizado Portugal nas últimas semanas.

O Presidente do BCE, ladeado por Vítor Constâncio e por Lucas Papademos, o vice-presidente da autoridade europeia que será substituído pelo português a 1 de Junho, disse que não existem soluções rápidas para que os países se livrem dos maus tratos a que alguns (como Grécia e, mais recentemente Portugal) têm sido sujeitos nos mercados de dívida pública. A receita avançada não é nova: cortar no défice, fazer reformas estruturais, abrir a economia à concorrência global, disciplinar salários.

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