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África: ONGs acusam G8 de pura cosmética

africa_5Cumprindo a tradição, os G8 anunciaram no final do seu encontro uma ajuda de 60 mil milhões de dólares "durante os próximos anos" para financiar o combate à Sida, tuberculose e Malária, em África. Várias Organizações não governamentais denunciaram o que consideram ser uma "operação de cosmética" já que este anúncio constitui um passo atrás em relação ao que tinha sido prometido há um ano atrás em Gleneagels, na Escócia. E advertem que não existe nenhum calendário definido para a atribuição das verbas, que ficam aquém do que as próprias Nações Unidas estabeleceram para os países que compõem os G-8. Actualmente, 72% dos africanos infectados com HIV e que precisam de tratamento com antiretrovirais não têm acesso aos medicamentos.

Representantes de várias ONGs entendem que as promessas feitas ontem pelos G8 constituem um passo atrás em relação ao que tinha ficado definido há um ano na Escócia, nomeadamente o compromisso de duplicação das verbas de apoio ao desenvolvimento até 2010.

A organização para o desenvolvimento Oxfam declarou que o recente anúncio dos G8 apenas reduz de 30 mil milhões de dólares para 27 mil milhões o valor que falta para que sejam cumpridas as promessas em relação a África.

Além disso, as novas verbas anunciadas para combater a SIDA, a Tuberculose e a Malária ficam aquém do que tinha sido estimado pelas Nações Unidas que deveria ser o compromisso dos países que compõem os G-8: 15 mil milhões por ano contra os anunciados 12 mil milhões por ano.

Outros activistas criticam também o facto de não ter sido estabelecido nenhum calendário concreto de entrega das verbas, nem a definição de quanto dessa soma será "ajuda fresca".

Por seu turno, Ulrich Post, da Ajuda Mundial contra a Fome, disse à IPS News que a declaração "apenas menciona a agricultura em África numa única frase, quando 200 milhões de pessoas sofrem de mal nutrição crónica".

Bono, vocalista dos U2, acusou a declaração dos G8 de "pura farsa". E mostrou a sua indignação: «Acho que é uma linguagem deliberada de ofuscamento. É algo feito intencionalmente para nos enganar».

Por seu turno, uma das organização de luta contra a sida desafiou os líderes do G8 a responder se teriam agido com a mesma falta de diligência se as seis mil pessoas que morrem diariamente de Sida em África vivessem nos seus países. "O anúncio de 60 biliões de dólares americanos para lutar contra o HIV/Sida, o paludismo e a tuberculose não é o aumento prometido em Gleneagles, não existe um calendário para a concessão dos fundos e constata-se uma ausência deliberada de pormenores", sublinha a organização.

Aproximadamente 62% de todas as pessoas infectadas com o vírus da Sida vivem na África, e 72% dos africanos que precisam de tratamento com antiretrovirais não têm acesso aos medicamentos.

 

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