Está aqui

Biblioteca

O seu aspecto infundia terror às crianças e repulsão aos adultos; não tanto pela sua altura e extraordinária magreza, mas porque a desgraçada tinha um defeito horrível: haviam-lhe extraído o olho esquerdo; a pálpebra descera mirrada, deixando, contudo, junto ao lacrimal, uma fístula continuamente porejante. 

Agitou-se no banco, envolveu-se melhor no dominó, que a noite ia-se pondo fria, e resolveu esperar com resignação. Passou, porém, uma hora, duas, e ela sem aparecer... A inquietação mordeu-lhe novamente a alma... Porque não viria? Onde estaria àquelas horas da noite?...

Levantei-me rapidamente da borda da cama, e, no mesmo instante, o capitão pôs-se também em pé, dando um grito de surpresa. Tinha-me voltado para apanhar a lanterna e examiná-la, quando lhe ouvi a exclamação e em seguida gritar por socorro.

– Pelo sangue de Cristo, sim, mimosa – responde o carmelita, atirando a sra. Rodin ao leito – sim, alma pura, fiz de seu marido um padre, e, enquanto o farsante celebra um mistério divino, apressemo-nos a levar a cabo um profano...

– Então nunca comeram caldo de pedra? Só lhes digo que é uma coisa muito boa.

Responderam-lhe:

– Sempre queremos ver isso.

No cerne do alvoroço alarmado, os socorristas encontraram Joel num sono plácido, exalando como um corpo vivo há muito sem gel de banho exala. Há quanto tempo o vosso amigo está assim? Há um dia e meio, pelo menos... Conto inédito

Eu presenciei o espanta-diabo do princípio ao fim, graças a uma feliz sequência de circunstâncias, e quero descrever tudo para os verdadeiros conhecedores e para os amadores do sério e do elevado, de acordo com o gosto nacional.

Para aqueles que estudam a grande arte de viver na cama, devo de forma enfática incluir uma palavra de cautela: se ficar na cama até tarde, faça isso sem nenhuma justificativa.

Que horas podiam ser? Parecia que eu caminhava havia um tempo infinito, pois as minhas pernas amoleciam debaixo de mim, o meu peito arfava, e eu sofria terrivelmente de fome.

Uma modesta proposta para prevenir que, na Irlanda, as crianças dos pobres sejam um fardo para os pais ou para o país, e para as tornar benéficas para a República.

Páginas

Isto de castigar os imigrantes ou de prometer a bandeira nacional contra Bruxelas vem com a função. Rui Rio repetiu nos Açores o refrão do ataque à subsidiodependência.

Entre 13 e 17 de dezembro, 600 mil associados vão poder escolher quem estará à frente dos órgãos sociais da Montepio Geral - Associação Mutualista (MGAM), que detém um dos cinco maiores bancos privados de Portugal e o único propriedade de uma entidade com sede no país.

Marcelo denunciou-se. Colocou a sua militância conservadora acima da maioria representativa da vontade expressa pelos portugueses em eleições legislativas.

Após as eleições de 2019 o PS recusou acordos escritos com os partidos à sua esquerda. O fim da geringonça estava decretado. Faltava saber quando seria implementado.

Não há, nem nunca houve, manifesta falta de interesse do povo pelos seus agentes culturais. Da cultura, em todas as suas formas, se alimenta a Humanidade. Esse é um facto que ficou ainda mais claro nestes tempos de pandemia que vivemos.

Um olhar informado e crítico permite-nos identificar as linhas de continuidade que unem o passado ao presente e compreender de que modo o racismo se foi mantendo e adaptando ao longo dos tempos. Por Beatriz Gomes Dias.

O Esquerda.net esteve à conversa com Mamadou Ba, dirigente do SOS Racismo, sobre a forma como a colonialidade continua a marcar as relações económicas, sociais e políticas do país. E também sobre os desafios com que se confronta o movimento anti-racista. Por Mariana Carneiro.

Para acabar com o racismo, contra os ciganos, os negros, os nepaleses, os muçulmanos, não é preciso desculpas. É preciso que a sociedade se organize de outro modo, de um modo anti-imperial, opondo-se a quaisquer discriminações e a privilégios. Por António Pedro Dores.

O racismo estrutural em Portugal, herança do seu passado colonialista, traduz-se em desigualdades de toda a ordem. A violência policial racista é uma das manifestações mais atrozes deste flagelo. Para combatê-lo, é preciso sairmos do estado de negação em que nos encontramos. Dossier organizado por Mariana Carneiro.

Guto Pires acredita que devemos construir um mundo melhor, mais saudável, de harmonia. Mas não foi isso que aconteceu a 27 de outubro de 2013, quando foi espancado pela polícia, sendo internado nos cuidados intensivos. O Esquerda.net falou com o músico natural da Guiné-Bissau. Por Mariana Carneiro.