Rita Calvário

Rita Calvário

Investigadora em estudos agrários e rurais

As medidas [do plano da troika, subscrito por PS, PSD e CDS-PP, para o mercado habitacional] são de uma violência social extrema e não resolvem nenhum dos problemas da habitação do país.

Este acidente mostra, mais uma vez, que não existe algo como o risco nulo e que as consequências da sua ocorrência são imprevisíveis, de difícil contenção e de uma gravidade alarmante para a saúde pública e o ambiente.

O problema do país e da habitação não são as rendas baixas. Os centros das cidades não estão vazios de gente porque as pessoas que lá moram pagam pouco de renda. O problema são as milhares de casas devolutas e os preços especulativos.

A aprovação de planos de ordenamento de áreas protegidas, que viram as costas às populações e abrem as portas aos grandes interesses económicos, reflecte o falhanço da política de conservação da natureza e da biodiversidade.

Em discussão está não só qual o envelope financeiro que lhe vai caber, mas sobretudo as mudanças de orientação e das medidas em causa.

Para salvar o clima não temos de o transformar num banco, mas exigir justiça climática juntando as vozes das populações.

Ao Ministério do Ambiente, mais do que ter um baixo orçamento, falta-lhe operacionalizar políticas concretas de resposta à crise e saída do buraco orçamental que corta cegamente na despesa.

O problema central do país, mais do que o défice e a dívida pública, é uma economia parada que se afunda a cada PEC e OE apresentado e um desemprego galopante.

Esperemos que desta vez o PS queira mesmo combater a especulação fundiária e imobiliária e não dar-lhe cobro, como tem feito ao longo dos anos.

Até ao dia 13 de Agosto deste ano já arderam perto de 19 mil hectares de floresta em áreas protegidas, o equivalente aos 20 mil hectares ardidos no ano trágico de 2005.