Nelson Peralta

Nelson Peralta

Biólogo. Militante do Bloco de Esquerda

Sem salário desde Agosto e em greve desde Dezembro os trabalhadores rejeitaram o plano de falência proposto pela empresa, lançaram mãos à obra e produzem à revelia o seu próprio jornal "Os trabalhadores", que se tornou o mais lido do país. Por Nelson Peralta, em Atenas

O Sindicato da Habitação Social e a Organização para as Políticas Sociais dos Trabalhadores foram fundadas em 1931 pelo Ministério do Trabalho grego. Sobreviveram a várias ditaduras mas a troika propõe-se a acabar com elas no seu segundo plano de “resgate”. Tratam-se de mutualidades financiadas pelos trabalhadores e nunca receberam um euro (ou um dracma) do orçamento de Estado.

Eurodeputado do Bloco participou na delegação do GUE/NGL que prestou solidariedade aos grevistas da Greek Steelworks, parada há 116 dias contra a redução do salário para metade e o despedimento de 65 operários.

É a própria política interna da União Europeia, definida pelos mesmos líderes que proclamam a ideologia da flexibilidade, que demonstra o quão erradas são as medidas que impõem aos povos da Europa.

Quando, perante a morte de um povo, a nossa preocupação é que assim não pode pagar a dívida agiota à banca sabemos que chegámos ao grau zero da Humanidade.

Há cada vez mais vozes a repetir que os recursos do planeta não chegam para todos, abrindo as portas à pobreza e à fome. Mas será que o problema é a demografia ou a desigualdade no acesso aos recursos?

João Galamba, actual coordenador da bancada do PS para o orçamento e finanças, acusou ontem os eurodeputados do Bloco de Esquerda de terem votado contra a criação de uma taxa sobre as transacções financeiras internacionais. Essa afirmação é uma falsidade.

Uma das primeiras medidas do governo conservador-liberal inglês foi, ao triplicar o valor das propinas universitárias, mostrar que o ensino não é um direito nem é para todos. Agora aprofunda o modelo.

O problema da economia portuguesa não é ter salários altos, bem pelo contrário. O governo dá mais um passo para intensificar e perpetuar a exploração com base nos salários de miséria.

Assis está disponível para entendimentos com o governo de direita para políticas que vão além do memorando; Seguro fica-se “só” pelo memorando.