Está a chegar dinheiro a rodos da União Europeia, dizem que para garantir a nossa resiliência. Pois bem, tanto dinheiro é uma oportunidade única para mudar as vidas destes grupos e de todas as pessoas que têm estado a vida inteira a recuperar de adversidades.
No SNS, o estado de necessidade não foi um momento. É uma condição. E é a determinação em o assumir, contra a estreiteza estratégica da contenção orçamental, que a democracia cada vez mais exige.
Encarcerar os imigrantes cuja irregularidade é detetada na fronteira é uma cedência irresponsável a essa fantasia perversa de quem inventa invasões e violações em massa para surfar o alarme que cria.
É precisa uma reforma da Justiça. Uma reforma que faça cumprir a lei nas prisões, que retire os/as advogados/as das malhas da precariedade e da desproteção social. Uma reforma que faça justiça a quem trabalha na justiça, terminando com a desconsideração dos/as funcionários/as judiciais.
A escolha política fundamental é clara: ser complacente com a impunidade que nos priva de meios para os serviços públicos e para o rendimento dos de baixo ou ser responsável e exigir responsabilidade para que o dinheiro de todos seja para todos e não para o gozo de poucos.
O algodão não engana: somos um país com mais de dois milhões de pobres. E seriam o dobro se não fosse a operação de prestações sociais que minoram esse alcance. Somos um país em que a principal causa de pobreza são os baixos salários.
O modo como tratamos os imigrantes (em Odemira e um pouco por toda a parte) – mantendo uma indiferença irresponsável face à pantanização das suas vidas – é o teste do algodão aos direitos humanos em Portugal. E o algodão está sujo.
O que o país alheado da realidade descobriu com os milhares de mortes nos lares não se muda com melhores lares. Muda-se com mudança de muitas coisas na sociedade para que a cidadania e os direitos dos mais velhos sejam o princípio e não a exceção.
O mandato que recebemos dos autores do 25 de abril é o de fazer dele um programa sempre por cumprir. Sempre o dia seguinte como exigência, sempre um 26 de abril que seja um passo adiante do 25 de abril.
A corrupção que mina a democracia – a dos milhões muito mais que a dos tostões – é cada vez mais ágil no recurso aos mecanismos de lavagem que a globalização engendrou, como os vistos gold ou os offshores.