José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

A verdade é que o partido liberal foi tendo vários nomes e tem a idade da contrarrevolução em Portugal. Insinuou-se no repúdio da Constituição da República com a invocação de que ela enfermava de “uma excessiva carga ideológica”.

Antitéticos na sua formulação e nos seus fundamentos, o discurso liberal e o discurso realista convergem, porém, no essencial: são ambos instrumentais de lógicas imperialistas. Ambos são discursos de justificação da guerra.

Desengane-se quem acha que isto é um problema de Espanha. Não é. Todas vozes que, em todo o mundo, se têm levantado a favor da indiscutibilidade do direito à autodeterminação estão confrontadas com uma exigência de coerência. O Governo português também, portanto.

Sobre esta guerra, o que abunda é um conhecimento que explica mas não muda, que justifica mas não propõe, que se põe a adivinhar mas não antecipa. O mundo precisa com urgência de outros discursos para outras práticas que derrotem a política da guerra.

A estratégia de substituir os factos pela propaganda é uma conhecida arma de guerra. Mas não nos enganemos: partir do princípio de que tudo se resume a propaganda e que só nos estão a contar uma história muito mal contada é um exercício de auto-engano que nos isola da realidade.

EUA e Rússia pintam como sendo dos/as ucranianos/as aquilo que não é senão a sua própria vontade. O estatuto de neutralidade correspondia ao equilíbrio de vontades entre as diferentes sensibilidades das gentes da Ucrânia. Esse pode ser um apoio essencial de uma solução política inclusiva.

A conclusão mais errada que podemos tirar da derrota eleitoral da esquerda é a de que a linha política de disputa da governação do PS fracassou. A alternativa é uma esquerda muleta da governação ou uma esquerda acantonada na retórica infértil.

Substituir uma Justiça cara e seletiva por um verdadeiro serviço público de Justiça – esse é um dos desafios maiores da nossa democracia.

Conhecer a verdade da violência contra agentes policiais e da violência policial é cada vez mais uma exigência da democracia. Mas essa exigência não pode ser satisfeita mistificando neutralidades que não existem e pondo em causa imperativos de salvaguarda dos direitos de privacidade pessoal.

É de elementar justiça e não de favor que se trata quando se exige uma redução da idade da reforma das pessoas com deficiência.