José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

É por causa da emancipação que a esquerda se bate pela paz e não por um imperativo moral de que qualquer paz é sempre superior a qualquer guerra. O desafio atual é o de resgatar esse sentido emancipatório e de crítica radical num grande movimento internacionalista pela paz.

Onde se exigia arrependimento pelo pecado coletivo, houve retórica de advogado de defesa; onde se exigia coerência com a crítica ao relativismo, houve relativismo acrítico.

Luís Moita escolheu o lado do cuidado e testemunhou-o não só no seu pensamento mas na qualidade da relação que cultivou com cada um dos que com ele se cruzaram.

O Parlamento aprovou três vezes a lei que despenaliza a morte assistida. A ampla maioria que a aprovou reflete o largo apoio social a uma lei sintonizada com a exigência de ponderação e de tolerância que os tribunais constitucionais de Itália e da Áustria estabeleceram, nesta matéria, para os seus países.

Mahsa Amini era mulher e era curda e interpretou de modo desarmante a vontade indomável das mulheres curdas de serem livres. Ao fazê-lo, foi a voz de todas as mulheres iranianas, de todas as mulheres do mundo e de todos os homens que se irmanam nessa luta pelos direitos e pela liberdade.

Esse grande movimento plural, combativo nas ruas, nos morros, nas escolas, em cada casa, é o que desagua na força vencedora da candidatura unitária de Lula.

A ordem internacional do pós-II Guerra Mundial teve sempre um avesso: o da desordem imposta aos de baixo, no mundo e em cada sociedade.

Os problemas estão mais que diagnosticados. Défice imenso de profissionais com vínculo estável ao SNS, com carreiras paralisadas ou desrespeitadas, tudo a convidá-los e aos doentes a irem para um setor privado agressivo, ficando o SNS como retaguarda para o que é difícil e para os pobres.

A simples sugestão de um diálogo entre marxistas e cristãos causa estranheza, desconforto e até raiva no senso comum. Estranheza e desconforto que estão ausentes quando se encara o diálogo – ou mesmo a justaposição – entre o ser-se cristão e o ser-se liberal, conservador ou nacionalista.

Clareza na condenação da invasão e da guerra, na defesa da autodeterminação, na exigência da extinção dos blocos militares, no empenho numa solução negociada que respeite o Direito Internacional e traga a paz de volta.