José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Dirigente do Bloco de Esquerda

A divergência insanável tão brandida por Seguro para as televisões nunca existiu. Porque é claro que entre os signatários de um Tratado Orçamental que impõe, sob pena de sanções, um défice estrutural de 0,5%, não há divergências insanáveis, há sim convergências assinaláveis.

O pós-troika é a continuação da troika por outros meios. Ou pelos mesmos mas mais fortes.

A disputa da influência sobre o espaço pós-soviético foi, desde 1989, a continuação da guerra (fria) por outros meios. É a vampirização da Ucrânia pelas potências que está em jogo por estes dias.

A diferença assumida, a margem sem arrependimentos nem complexos de inferioridade, a qualificada disputa do cânone- isso fez de Paredes, Paco e Piazzolla referências grandes da nossa humanidade.

A aceitação da Guiné Equatorial mostrará uma CPLP disposta a abdicar da ambição de ter a força da diferença para se tornar um entreposto de negócios legitimadores de poderes políticos autoritários.

É claro que a Suíça - como a França, como os Estados Unidos ou como Portugal - é o que é porque recrutou centenas de milhares de imigrantes quando deles precisou.

O Portugal do pós-troika será evidentemente um país mais pobre e menos apetrechado para responder aos desafios do nosso tempo.

A luta contra a austeridade tanto ganhará força com uma convergência de proposta como a perderá com um equívoco.

Dublin não escolheu entre um bem e um mal, mas entre dois males. O que não escolheu, isso é claro, foi recuperar a soberania.

Na promiscuidade entre a política e os negócios como no futebol, o campeonato português é subalterno. O banco Goldman Sachs é um clube dessa champions league que é a nebulosa da governação global.