A agência de rating Fitch tornou pública a sua avaliação dos resultados das eleições para o Parlamento Europeu. A conclusão é enfática: não houve uma "grande penalização eleitoral tendo em conta o nível de austeridade".
O BCE, o FMI e a CE entenderam organizar em Sintra, no dia das eleições, uma jornada de propaganda da receita de austeridade. O 1640 de que fala vibrantemente Paulo Portas é isto: os Filipes vêm a Sintra festejar a ocupação libertadora de Portugal.
Na União Europeia do nosso tempo, os programas que nos governam de facto não vão mais a votos - fossem e seriam cilindrados. As troikas não são eleitas - e, no entanto, são elas que nos governam.
O FMI e o seu governo querem que avaliemos negativamente o caminho de conquista de direitos feito nestes quarenta anos porque querem que dessa avaliação resulte o compromisso de termos quarenta anos futuros de retração nos direitos e nos seus mecanismos de garantia.
Quarenta e cinco anos depois do 17 de abril de 1969, PSD e CDS impedem os militares que fizeram o 25 de Abril de falar na sessão evocativa da revolução democrática. Diante da pretensão dos capitães de Abril, a maioria governamental responde como Américo Tomás.
A celebração dos quarenta anos do 25 de Abril será inútil se não fizer da assunção das respostas aos fatores de esvaziamento da democracia o seu propósito essencial.
Entramos numa nova fase da conversão da social-democracia europeia a jogar o jogo do adversário no seu campo e de acordo com as suas regras: até agora, era o campo e eram as regras da direita liberal; com Hollande e com Valls o campo e as regras são as de Marine Le Pen.
Da grande promessa programática de 2011 - empobrecer o País para o "tirar desta situação" -, o Governo cumpriu a parte mais fácil: empobrecer os pobres e trazer para a pobreza os remediados. Aos ricos ajudou a que ficassem mais ricos.