Joana Mortágua

Joana Mortágua

Dirigente do Bloco de Esquerda, licenciada em relações internacionais.

Como todos os tabus com que não temos estômago para lidar coletivamente, o racismo institucional não é público o suficiente para que seja assumido como problema social. Mas existe.

Há cem anos que as principais fortunas do país sobrevivem à custa do privilégio e da proteção do Estado. O livre mercado é o melhor discurso, mas só na altura de privatizar.

Olhemos pelo ângulo que olhemos, o sucesso de Corbyn baseia-se num discurso antielites e de justiça social que atrai os mais jovens porque não lhes atira areia para os olhos: o mercado falhou-lhes.

O anterior Governo liberalizou o eucaliptal e o atual não mudou grande coisa. Faltou coragem para enfrentar interesses, lucros e lóbis.

Por mais extraordinárias que sejam as histórias, nunca conseguirei dissociar o seu protagonista, Alípio-mito, Alípio-herói, do homem que fazia feijoadas na rua de Beja.

Europa de Merkel não traz oportunidades, arrasta perigos. Quando o mundo está numa escalada armamentista e os conflitos se agudizam, a Europa alemã cheira a exército europeu. A Europa alemã soa a austeridade.

Grande novidade, Michel Temer é um bandido. Enquanto Dilma continua a ser a única sem acusações, ele e outros golpistas foram acusados de corrupção, organização criminosa e obstrução à justiça por tentarem impedir a Operação Lava Jato.

Há milhares de professores contratados que agora perguntam, e com razão, se ficaram apeados do comboio da regularização de precários do Estado.

Macron ignora que foi eleito pelo medo e despreza os 20% dos eleitores que votaram em Mélenchon.

É um erro achar que uma sociedade democrática pode conviver pacificamente com tão elevados riscos de exclusão social, económica e política a que está sujeita uma cada vez maior fatia da população.