Joana Mortágua

Joana Mortágua

Deputada e dirigente do Bloco de Esquerda, licenciada em relações internacionais.

O primeiro-ministro bem pode anunciar a bonança, mas se no final das contas ela não se sentir no bolso de quem trabalha, é porque não chegou.

Isto anda tudo ligado – enquanto o combate às alterações climáticas for empurrado para as costas das nossas decisões individuais, as desigualdades vão levar a melhor.

Será a humanidade capaz de se emancipar da sua própria destruição? A geração da greve climática lançou uma pergunta que permanece sem resposta mas que engrossou o campo do progresso.

No caso da educação, venha bazuca ou bombinha, era importante que antes tivéssemos claro para que serve.

Bolsonaro negou a ciência e com isso roubou ao seu povo o direito ao otimismo e à liberdade. A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a conduta do Governo na gestão da pandemia está a confirmar que existiu uma política ativa de negligência.

Para ser claro na condenação do avanço das políticas de ódio contra a população LGBTI+ na Hungria, bastaria ao Governo alegar a defesa dos presumíveis valores europeus e pôr os olhos na Presidente da Comissão Europeia.

Na passada segunda-feira, investigadores científicos tornaram a manifestar-se contra a inação do ministro Manuel Heitor. Em causa está a prometida mas não cumprida medida de prorrogar todas as bolsas de investigação durante o período de confinamento.

O número apresentado pelo Governo é sonante: um investimento de cerca de 900 milhões. Mas apenas 140 milhões são para recursos humanos. A fatia maior, 670 milhões, vai para equipamentos e infraestruturas. Tudo o resto inclui medidas avulsas ou simplesmente a continuidade de políticas em curso.

O Bloco de Esquerda considera que a reivindicação da Península de Setúbal para a constituição de NUTS autónoma que permita reforçar o acesso a fundos europeus é justa e merece apoio, revertendo a decisão tomada em 2013 pelo governo de Passos Coelho.

Depois de tantos anos a assistir à luta desigual do povo palestiniano pela sobrevivência, foi a comunidade internacional que transformou esta história – a verdadeira, sem pretextos – numa história sem moral. A Palestina não tem nada a provar, a não ser que é vítima de uma ocupação ilegal.