João Teixeira Lopes

João Teixeira Lopes

Sociólogo, professor universitário. Doutorado em Sociologia da Cultura e da Educação, coordena, desde maio de 2020, o Instituto de Sociologia da Universidade do Porto.

António Araújo é historiador, assessor de Cavaco e assumiu recentemente posições favoráveis a Rui Ramos na polémica sobre o branqueamento de alguma historiografia a propósito do Estado Novo. No seu blog, Malomil, analisa com argúcia a cultura da direita pós-revolução de Abril e de como esta se tornou a cultura dominante. Artigo de João Teixeira Lopes publicado em inflexaoblog.blogspot.pt

O ataque que o Governo está a desenvolver contra as universidades e a I&D faz parte da mesma cruzada ideológica que procura dinamitar a segurança social pública ou o serviço nacional de saúde.

Classifico de aterradoras e reacionárias as declarações do Ministro Marques Guedes sobre Eusébio como símbolo “da alma portuguesa”, do “ser português” e da “essência nacional”.

Não há esperança neste filme, já o dissemos. As diferenças sociais, ao contrário das telenovelas, são uma linguagem que separa as amantes

Por mais que tentem mascarar o indisfarçável, a desvalorização do trabalho (e das vidas) é a receita do FMI e do governo.

Muitas pessoas perguntaram-me por que decidi estudar emigrantes qualificados que escolhiam a França como destino.

Rio é liberal, autoritário e sovina; Menezes é liberal, autoritário e despesista. E esconde o PSD tanto quando pode, apesar de ter sido um dos promotores e apoiantes de sempre de Pedro Passos Coelho. Não aconselho o leitor a entrar no jogo das diferenças de personalidade ou nas tricas intestinas. O máximo que conseguirá é encontrar um poço de intrigas, mentiras, egos e ambições.

Sou, naturalmente, contra qualquer iniciativa que pretenda legislar sobre esta matéria, dada a ambiguidade, desde logo semântica, que lhe está subjacente. Mas sei que o Socialismo funciona precisamente como espaço arriscado de intervenção, de contraditório...

A aflição de Menezes com a democracia e os tribunais assemelha-o e muito a Rui Rio, incapazes que são, ambos, de superar o instinto autoritário e de argumentar com serenidade perante a adversidade.

Bastaram uns quantos telefonemas de Merkel, Draghi e Barroso (eles próprios porta-vozes das forças financeiras globais) para o líder do CDS tremer, recuar e dar o dito por não dito.