João Teixeira Lopes

João Teixeira Lopes

Sociólogo, professor universitário. Doutorado em Sociologia da Cultura e da Educação, coordena, desde maio de 2020, o Instituto de Sociologia da Universidade do Porto.

Ao assistir à peça As Bruxas de Salém, encenada por Nuno Cardoso, somos perfurados por uma lâmina inquietante: a narrativa (altamente ficcionada) do que aconteceu em Salém, Massachusetts, poderia ser transposta, a muitas outras situações.

Elas é um livro que nasceu de uma inquietação quotidiana. As histórias de vida destas jovens das classes populares são um contraponto a um viés masculino e classista nas representações públicas e sociológicas da juventude que se têm cristalizado.

A propósito do centenário do nascimento de Eugénio de Andrade proliferaram os comentários de ensaístas e poetas tentando explicar uma certa perda de consagração e de receção da obra do trovador portuense. Eu pasmo, porque a poesia de Eugénio continua a resplandecer.

Todas as sociedades contam estórias a si mesmas. Através delas cria-se uma teia de sentido partilhado e um conjunto de imagens ou representações que circulam de modo generalizado. Os epítetos com que mutuamente nos brindamos são disso um extraordinário exemplo.

O capitalismo de plataforma é o capitalismo numa das suas mais rudes metamorfoses. Ninguém representa estes trabalhadores: não têm cooperativas, CT’s ou sindicatos. Contudo, os mais politizados têm organizado pequenas manifestações contra as suas degradantes condições de trabalho.

Em poucos meses Amanda percebeu na pele o que é “ser traduzida” em contexto de dominação: não a deixam falar, “falam” por ela, colando-lhe etiquetas e estigmas, dissolvem-na numa homogeneidade (“as negras brasileiras”) onde a sua singularidade e o seu corpo perdem autonomia.

Augusto Santos Silva, esse fazedor de reis, lá veio dizer o que António Costa não pode exprimir: se necessário, haverá um acordo de cavalheiros entre PS e PSD para viabilizar a governação. Esse é o problema do país.

O vírus revelou e multiplicou as desigualdades sociais (de classe, de género, de etnia), atingindo os mais vulneráveis (os pobres, os racializados, as mulheres).

Ao invés da imagem “democrática” que se quer colar, o vírus revelou e multiplicou as desigualdades preexistentes.

A aula é um exercício performativo da transformação do mundo e dela saímos diferentes, de cada vez, vitoriosos ou derrotados.